Presentes: Prof. Dimas
Floriani, José Edmilson de Souza Lima, Profª Lucia Helena de Oliveira Cunha,
Profª Maria do Rosário Knechtel, Zenilda Silva, Adriano Fabri, Ítalo Carrera,
Leonardo de León, Pedro da Silva e José Thomaz.
Apresentação referente a tese
de doutorado de Ítalo Carrera. Néstor Ítalo Carrera fez apresentação sobre
tese de doutorado que desenvolve no Centro de Estudios de Desarollo Local,
Regional y Políticas Públicas (CEDER) da Universidad de Los Lagos (Chile), tese
intitulada “Estudio en torno a apropiaciones territoriales, transformaciones
socioecológicas y discursos científicos en el maritorio interior de Chiloé”. Ítalo
disse que quando há redes de poder há também dialética ou dialógica. Mencionou
haver comunidades que consideram saberes xamânicos como bruxaria, sem sentido.
E fez menção, também, à submissão do colonizado à colonização. Zenilda disse
que, do ponto de vista biológico, evolução não implica noções de melhor e pior.
Profª Lucia Helena disse que, do ponto de vista social, existiu sim a ideia de
superioridade, com populações indígenas sendo consideradas em estágio menos
evoluído que o da civilização europeia. Zenilda disse que Ítalo falara de
evolução biológica. Prof. Dimas observou que, no contexto da evolução, o mais
apto se salva. Zenilda disse que, nesse contexto, tem êxito quem tem capacidade
de adaptação, e reafirmou não haver conceito biológico de melhor. Ítalo
observou que a evolução acontece gradual e lentamente, e fez referência a um
período de 10.000 anos. Prof. Dimas citou o paleontólogo e biólogo
evolucionista norte‑americano Stephen Jay Gould e a ideia de um
neoevolucionismo com rupturas. Mencionou também um embate moral com a Igreja, e
uma pesquisa creditada ao naturalista inglês e membro da Royal Society Charles
Darwin sobre aves e guano no Peru. Comentou que, nos anos 20 e 30 do século XX,
escritores ingleses qualificavam as fêmeas de pelicanos de desalmadas,
atribuindo, assim, característica moral humana a uma espécie não humana. E
mencionou a questão da apropriação de conceitos.
Ítalo mencionou um contexto
antropológico no qual a ideia de evolução está, ou estaria, presente. Prof.
Dimas disse que o intelectual alemão Friedrich Engels teria mencionado as
anatomias humana e do macaco, qualificando a deste como inferior à daquele.
Citou também o filósofo e sociólogo alemão, nascido na Prússia, membro da Royal
Society of Arts, Karl Marx, em especial uma consideração referente ao prefácio
de Das Kapital: Kritik der politischen Oekonomie (Hamburg: Verlag von
Otto Meissner, 1867). Citou também o antropólogo e etnólogo norte-americano
Lewis Henry Morgan. Profª Lucia Helena fez observação sobre como o discurso
compõe o imaginário social. Ítalo fez observação sobre imaginário e
colonização. Prof. Dimas comentou brevemente sobre como o colonizado se vê no
imaginário formado pelo colonizador. Profª Lucia Helena considerou que o
imaginário se institui e é instituído. Ítalo disse ser importante, quando se aceita
uma teoria, ver se ela serve para explicar fenômeno de interesse, e mencionou
duas categorias: apropriação territorial e conflito socioambiental. Disse que,
no contexto de seu doutoramento, houve produção de três textos. Ainda nesse
contexto, referenciado à região de interesse para a pesquisa (arquipélago
chileno de Chiloé e arredores), fez menção a apropriação simbólica e cultural,
no contexto da aquicultura; a uma espécie de desculturação, referente ao
trabalho em planta industrial; à introdução do salmão, com impacto no
ecossistema local; à aquicultura como elemento no contexto da economia
capitalista, com consequente mudança no ponto de vista como a atividade é
percebida. Mencionou que, por volta de 1970, não havia na região centro de
cultivo, e sim algumas estações de pesquisas, que relacionou a interesses
europeus e norte-americanos. Que nos anos 80 e 90, como que “por mágica”,
observou-se mudança significativa, que relacionou a um regime político
ditatorial durante o qual se estabelecera, segundo disse, uma instituição
imaginária de desenvolvimento. Disse que, antes de 1990, a apropriação
territorial em Chiloé acontecia em conformidade com uma lógica identitária; que
havia uma relação, por assim dizer, quase “ideoafetiva” (sic) até antes
dos anos 90.
Prof. Dimas informou que Chiloé
fica a aproximadamente 1.400 quilômetros ao sul de Santiago. Disse‑se que lá se
pratica cultivo de salmões sem pesquisas sobre esse cultivo. Adriano perguntou
sobre volume de antibióticos. Ítalo fez menção a áreas de manejo. Mencionou
licitação ganha por período de cem anos. Ao mencionar o processo colonizador,
disse que o que existe em Chiloé é o que se pode, hoje, encontrar em outras
cidades, como Santiago. Prof. Dimas fez menção à mudança do Código Florestal no
Brasil, reconhecendo que, nela, foram contemplados aspectos culturais. Profª
Lucia Helena mencionou uma divisão política atual no Brasil. Ítalo disse que,
em Chiloé, o sujeito não é capitalista. Profª Lucia Helena fez menção a por que
o sujeito, em Chiloé, passa a ser capitalista. Ítalo observou haver, antes, uma
subjetividade. Prof. Dimas perguntou a Ítalo como identificará racionalidades.
Ítalo disse preocupar-se com a subjetividade do sujeito, e considerou que a
construção do mundo baseia-se na visão de mundo. Disse haver feito análises
quantitativa e qualitativa, com consulta a aproximadamente trezentos artigos
sobre Chiloé, organizando-os por temas; e que identificou que a maioria dos
artigos era sobre Biologia e bioquímica. Fez menção a objetivos, hipóteses e metodologia.
Edmilson fez menção a rede. Ítalo explicou sobre isso e disse que se fala de
etnocentrismo, de etnos como a Academia vê o contexto indígena. Fez menção a
biocentrismo, em que identificou atenção a processos biológicos ou bioquímicos,
e a antropocentrismo. E identificou, na aquicultura local, influência
importante das abordagens biológica e antropológica. Disse haver passado dois
meses a estudar documentos normativas. Profª Lucia Helena perguntou sobre como
ele articula teoria e empirismo. Ítalo citou o filósofo, economista e
psicanalista francês, nascido na Grécia, Cornelius Castoriadis e o também
francês e filósofo, além de antropólogo e sociólogo, Edgar Morin. No contexto
do antropocentrismo, fez menção à ideia do homem como medida de todas as coisas,
ideia esta creditada ao sofista grego Protágoras. Leonardo perguntou sobre
dados utilizados na pesquisa. Ítalo respondeu. Prof. Dimas informou que, no
sistema vigente na Universidad de Los Lagos, doutorandos têm como optar entre
elaborar uma tese ao estilo de monografia ou fazê-lo com o formato de artigos.
Leonardo perguntou novamente sobre os dados da pesquisa. Ítalo disse que 60%
dos artigos sobre Chiloé referem-se a Chiloé como espaço e não como território.
Disse haver, em artigos, discurso
etnocentrista, e que a ênfase é em espaço e não em território Adriano fez menção a surto de desenvolvimento,
e perguntou sobre autores que poderiam servir de referência nesse assunto.
Ítalo disse que, no contexto do conceito de desenvolvimento, trabalhou com
Morin e Castoriadis. Profª Lucia Helena reconheceu ser ampla a obra de Morin.
Ítalo fez menção à ideia de sujeito em desenvolvimento. Profª Lucia Helena
mencionou o primeiro livro de La Méthode, intitulado La Nature de la
Nature (Paris: Seuil, 1977). Ítalo mencionou, no contexto da ideia de
desenvolvimento, o economista e ambientalista chileno Manfred Max Neef, e, no
contexto social, o professor português, Grande Oficial da Ordem Militar de
Sant'Iago da Espada, Boaventura de Sousa Santos. Profª Lucia Helena considerou
o imaginário do desenvolvimento interessante para estudar a concepção indígena
de desenvolvimento. Ítalo fez menção ao filósofo e poeta francês Gaston
Bachelard, e, em diálogo com Profª Lucia Helena, foi mencionada a obra Les
Fragments de la Poétique du Feu (Paris: Presses Universitaires de France,
1988). Ítalo, no contexto do imaginário, fez referência ao antropólogo
argentino Néstor García Canclini, e à geógrafa mexicana Alicia Lindon. Profª
Lucia Helena perguntou sobre alguma obra específica de Canclini. Ítalo citou Culturas
Híbridas: estratégias para entrar y salir de la modernidad (México:
Grijalbo, 1989), e a uma tese do
sociólogo, politólogo e ensaísta chileno, agraciado, em 2007, com o Premio
Nacional de Humanidades y Ciencias Sociales de Chile, Manuel Antonio Garretón,
sobre imaginário. Opinou que tese de doutorado deveria ser realizada por
docentes depois de ao menos vinte anos de atividade. Profª Lucia Helena disse
da importância de doutorandos dedicarem-se às teses de doutorado. Ítalo fez
referência ao problema da subjetividade humana em Chiloé, ou a partir de
Chiloé. Profª Lucia Helena perguntou sobre a profissão de Ítalo. Ítalo disse
ser um trabalhador social, no contexto de pesquisas. Profª Lucia Helena
concluiu haver correspondência entre a formação de Ítalo e o curso de Serviço
Social no Brasil. Profª Maria do Rosário disse que o perfil de Ítalo parece com
o de Ciências Sociais. Edmilson ausentou-se. Ítalo contou um pouco sobre sua
experiência, e considerou que a teoria do imaginário tenta resolver o problema
da subjetividade humana.
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