Projeto de Pesquisa registrado no CNPq cujo objetivo é reunir pesquisadores latino-americanos, com metodologia interdisciplinar, por meio de pesquisas, seminários e publicações em Meio Ambiente, Cultura e Sociedade. Este projeto (2015-18) é coordenado pelo Prof. Dr. Dimas Floriani, responsável pela linha de Pesquisa em Epistemologia e Sociologia Ambiental do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Meio Ambiente e Desenvolvimento da UFPR e inserido na Rede Internacional CASLA-CEPIAL Semeando Novos Rumos / Sembrando Nuevos Senderos (Coordenação Geral de Casa Latino-Americana - CASLA). Clique para acessar o projeto.


ESTAMOS INICIANDO UMA NOVA CAMINHADA EM 2019. Registramos novo projeto de pesquisa no CNPq (2019-2021), com o título de:
CONFLITOS DO SOCIOAMBIENTALISMO DESDE AS MARGENS: as intermitências do desenvolvimento e da democracia na América Latina.
Estamos associando ao projeto o(a)s doutorando(a)s da Linha de Epistemologia Ambiental do PPGMADE (UFPR).



segunda-feira, 31 de agosto de 2015

 Memória No.11 da reunião do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental (memória elaborada pelo Prof. José Thomaz Mendes), ocorrida em 22 de julho de 2015, nominalmente a partir das 14 horas, nas dependências da Casa Latino-Americana (CASLA). Presentes (com base também em lista de presença): Prof. Dimas Floriani, Profª Lúcia Helena de Oliveira Cunha, Profª Maria do Rosário Knechtel, Adriana Ruela, Christian de Britto, David Fadul, Flávio Ferreira, Geraldo Milioli, Rafael Braz, Ricardo Gama e José Thomaz. 1. Breve relato e ou apresentação de considerações sobre capítulos do livro “A Colonialidade do Saber”, organizado por Edgardo Lander. Passou-se então a breves relatos e ou apresentações de considerações sobre capítulos do livro A Colonialidade do Saber: eurocentrismo e ciências sociais; perspectivas latino-americanas (Buenos Aires: Clacso, 2005), organizado pelo sociólogo venezuelano Edgardo Lander. 2.1 Exposição de Ricardo Gama sobre o capítulo “O lugar da natureza e a natureza do lugar: globalização ou pós-desenvolvimento?”, de Arturo Escobar. Ricardo Gama identifica no texto contraponto a globalização econômica, com base em experiências locais e com destaque para a dificuldade de trabalhar realidades locais. Percebeu aproximação com a ideia de globalismo localizado, do professor português, agraciado com o grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, Boaventura de Sousa Santos. Identificou ainda as questões de como buscar alternativas a modelos de inspiração capitalista e de como dar visibilidade a outros modos de vida. E fez menção a que, com referência ao binômio sociedade-natureza, o Sul periférico vê o sujeito dentro do ambiente. Prof. Dimas comentou sobre a importância de identificarem-se as estratégias, isto é, como são entendidos os debates sobre a natureza e sobre o lugar. 2.2. Exposição de Adriana Ruela sobre o capítulo “O lugar da natureza e a natureza do lugar: globalização ou pós-desenvolvimento?” de  Arturo Escobar. Adriana Ruela disse haver encontrado mais perguntas que respostas no texto, e que este tem grande mérito na nota política com ciência social pública, com destaque para atores sociais responsáveis.  Ricardo Gama observou, com referência ao exposto, o lugar como historicamente contextualizado. Prof. Dimas ponderou que a resistência nasce de uma (auto)consciência, e que a experiência é concreta, não abstrata (como seria uma sociedade alternativa). Citou o semiólogo italiano Umberto Eco, quanto ao binário apocalípticos e integrados, com os europeus sendo identificados com os segundos. Fez também menção à teoria do pós-desenvolvimento, do sociólogo peruano Arturo Escobar: indagando sobre o sentido que teria falar em pós-desenvolvimento, concluiu que, no fundo, este seria o retorno à política. Apresentou a questão da utilidade que isto teria para pensar um modelo de desenvolvimento, seguida da de ser ou não legítimo pensar diferente; e concluiu que a realidade mostra outros sinais, e que as ciências sociais precisam ficar atentas a eles. 2.3 Exposição da Profª Lucia Helena de Oliveira Cunha sobre o capítulo “Ciências sociais, violência epistêmica e o problema da 'invenção do outro'”, de Santiago Castro-Gomes.  Profª Lucia Helena fez menção ao significado do projeto de modernidade com ênfase no conhecimento técnico-científico com contribuição das ciências sociais. Considerou a questão problemática não ser só olhar o outro, mas fazê-lo destituindo o outro de sua própria racionalidade. Mencionou a caracterização do Estado como garantidor da organização racional, com critérios científicos (citando práticas disciplinares), constituições, invenção da cidadania com identidades homogêneas, manuais de urbanidade e gramáticas de idiomas; a pós-modernidade assentada na globalização, com interrogação à ideia de fim da modernidade; a passagem do poder disciplinar ao poder libidinoso; no contexto colonial, a supressão da diferença, e no contexto pós-colonial, a necessidade de ajustar as ciências sociais ao capital global. E concluiu com a ideia composta de descolonizar as ciências sociais e a filosofia na América Latina; de livrar-se de categorias binárias; e de revitalizar a tradição da teoria crítica. Prof. Dimas lembrou que dialogar não quer dizer assimilar, e que é possível empreender um diálogo a partir das “brechas”, não remoendo eternamente a ideia de exploração. Lembrando da filósofa belga Isabelle Stengers, apresentou a questão de como se separam e como se distanciam o médico e o curandeiro. Profª Lucia Helena recordou a importância das referências históricas do antropólogo francês nascido em Bruxelas Claude Lévi-Stauss, e leu um trecho de um texto de Boaventura de Sousa Santos, no qual há menção aos conhecimentos tradicional e científico. Prof. Dimas considerou que não se tratar de anular a ciência, mas de coexistir, e mencionou o exemplo da cultura mapuche no Chile, que é reconhecida pelo Estado. Mencionou ainda o médico e geógrafo Josué de Castro e a concepção de uma geografia da fome; o educador Paulo Freire e as ideias de resistência e de nacionalismo; o líder nacionalista cubano José Martí; o semiólogo argentino Walter Mignolo e as ideias de uma dupla consciência e dos povos silenciados; a sociologia do desenvolvimento; o crítico literário nascido em Jerusalém sob o Mandato Britânico da Palestina Edward Saïd; e a ideia de um inventário para identificar a emergência da colonialidade. Neste último particular, considerou que a colonialidade tem uma história, na qual se identifica insurgência contra a condição de subalterno; e que Walter Mignolo posiciona a colonialidade na perspectiva geopolítica. Prof. Dimas indagou em que ponto a colonialidade está presente nos interesses de pesquisa dos membros do grupo, e considerou que são reivindicados espaços de reflexão contra-hegemônicos. Fez menção à teoria do sistema mundo, creditada ao sociólogo estadunidense Immanuel Wallerstein. E reconheceu que, no fundo, existe uma epistemologia, um novo modo de olhar, diferente das epistemologias europeia e norte-americana; neste particular, advertiu quanto ao perigo de naturalizar o pensamento, e qualificou o livro do sociólogo peruano Danilo Martuccelli intitulado ¿Existen individuos en el Sur? (Santiago de Chile: LOM) como equilibrado entre Europa e América Latina. Profª Lucia Helena perguntou como o Prof. Dimas vê a contribuição do engenheiro mexicano Enrique Leff. Prof. Dimas respondeu que Leff traz uma novidade que não faz sentido para a Europa; e considerou que na Bolívia el buen vivir já é uma espécie não utópica de realidade. Fez ainda menção à antropóloga inglesa Marylin Strathern, em cuja tese de doutorado estudou as relações matrimoniais e disputas de corte entre o povo Melpa, na Nova Guiné; o antropólogo francês Philippe Descola; e o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, no contexto de uma agenda para repensar o conceito de natureza. Profª Maria do Rosário mencionou a importância de ver o homem como parte da natureza. Prof. Dimas citou a contribuição do médico austríaco Sigmund Freud no particular em que este considerava a neurose como decorrente, em medida importante, do afastamento entre o ser humano e as condições naturais da vida; e a advertência do filósofo prussiano Immanuel Kant de que, para além da lógica, é necessária a ética. Profª Maria do Rosário mencionou a concepção de comportamentos tidos como superiores e de outros tidos como superiores. Prof. Dimas observou que a cultura indígena não está incorporada no cultura brasileira em geral. Christian destacou a importância de evitar a “sociologia do ressentimento”, e Profª Lucia Helena, a de evitar comportamentos binários ou mutuamente alternativos. Prof. Dimas reiterou a importância de aproveitar as “brechas” europeias, citando brevemente o químico russo naturalizado belga, e laureado, em 1977, com o Prêmio Nobel de Química, Ilya Prigogine, e Isabelle Stengers; e mencionando a ideia, creditada a Boaventura de Sousa Santos, de uma visão europeia como visão particularista do universal. Considerou ainda Brasil, Equador e Uruguai como realidades distintas, elas que foram estudadas por um teórico alemão; e que, por exemplo, os construtos teóricos sobre política democrática desenvolvidos pelo cientista político estadunidense Robert Dahl teriam dificuldade para serem aceitos na cultura (política) brasileira. 2.4. Exposição da Profª Maria do Rosário sobre o capítulo “Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina”, de Aníbal Quijano. Profª Maria do Rosário iniciou com breve informação sobre o autor e sobre as referências usadas no texto, no qual identificou, por assim dizer, uma tríplice análise: crítica, documental e histórico-descritiva. Identificou como pressuposto a descolonização da sociedade como ponto de partida da referência eurocêntrica, com destaque para a feliz expressão “tempo de deixar de ser o que não somos”. Identificou, na qualidade de alternativa ontológica, a diferença entre colonialismo e colonialidade. Reconheceu, no texto, a importância do papel criativo do intelectual e a caracterização da globalização como culminância da colonização da América Latina e como triunfo do capital. Notou que o autor usa o conceito de raça como construção mental, que ressalta o caráter colonial. Em termos de categorias, identificou: a América e o novo padrão de poder mundial; raça como categoria mundial da modernidade; a colonialidade do poder e o capitalismo mundial; o capitalismo com forma de exploração do trabalho; um novo padrão de poder mundial e uma nova intersubjetividade mundial; a questão da modernidade e sua relação com o poder eurocêntrico; o capital e o capitalismo; e considerou também os dualismos duplamente caracterizados homogeneidade/continuidade e heterogeneidade/descontinuidade. Prof. Dimas fez menção aos Sete Ensaios de Interpretação da Realidade Peruana (São Paulo: Alfa-Ômega), de autoria do sociólogo e jornalista peruano José Carlos Mariátegui, originalmente publicados em língua espanhola (Lima: Minerva, 1928); à expressão “marginalidade social”, identificada com a obra de Aníbal Quijano; e considerou que colonialidade é diferente de colonialismo.

sábado, 11 de julho de 2015

Memória no. 9 do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental (10.6.2015)

Minuta de memória da reunião do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental, ocorrida em 10 de junho de 2015, nominalmente das 14h às 16h, nas dependências da Casa Latino-Americana (CASLA). Presentes: Prof. Dimas Floriani, Profª Lúcia Helena de Oliveira Cunha, Profª Maria do Rosário Knechtel, Maria Fernanda Cherem, David Fadul e José Thomaz. 1. Informes. O Prof. Dimas informou sobre apresentação de justificativa de Rafael Braz para não comparecimento à reunião. 2. Discussão sobre o texto “Hacia un Pensamiento Socioambiental: aproximaciones epistemológicas, sociológicas y metodológicas”, produzido em coautoria pelos Profs. Dimas Floriani e Nelson Vergara Muñoz. Prof. Dimas informou que o texto fora discutido, em 2 de junho de 2015, no Centro de Estudios del Desarrollo Local y Regional (CEDER), Universidad de Los Lagos (Chile); e que naquela ocasião fora sugerido que a parte III, “Teorías y métodos de investigación en temas socioambientales”, fosse tratado em outro texto. Prof. Dimas comentou sobre características da produção de um texto em coautoria, em particular quando a convivência entre os autores é relativamente recente; e que o Prof. Vergara se aproxima do pensamento complexo do antropólogo, filósofo e sociólogo francês Edgar Morin. Comentários: a) que a introdução apresenta questões socioambientais como crise do pensamento; b) que existe necessidade de uma epistemologia da complexidade; c) que existe necessidade de dizer em que consiste cada epistemologia; d) que cada uma das posições perante o conhecimento é influenciada culturalmente, por meio de racionalidades; e) lembrou-se do princípio de recursividade, de Edgar Morin, que, por assim dizer, internaliza externalidades de natureza cultural; f) que correlação e interdependência [captadas pela figura de “rede”] representam melhor a questão [da consideração de elementos socioambientais] do que a ideia de encadeamento, uma vez que esta significa a relação causa-efeito e a noção de rede não é monocausal e policêntrica; g) a ideia de que a razão da vida social é produzir sentido, e de que os jogos de linguagem permitem revelar e esconder; h) a existência de um debate semântico entre substantivo e adjetivo referente ao termo “socioambiental”; i) a necessidade de compreender a relação entre sociedade e natureza; j) Na modernidade, a natureza é vista e representada como signo negativo, pois emerge da crise ecológico-econômica, como expressão da superexploração dos recursos naturais e das catástrofes e poluições de origem antropogênica; k) o risco da simplificação, e das abordagens simplificadoras e ou tendenciosas; l) a necessidade de reinventar a ciência moderna, com diferentes perspectivas epistêmicas, lembrando que cada uma delas exige dizer qual é seu ponto de partida; m) a possibilidade de falar de um novo contrato epistemológico; n) o problema da possibilidade de diálogo entre visões diferentes. Prof. Dimas apresentou também a ideia de elaborar um livro com a produção teórico-metodológica referente à interação entre sociedade e natureza, o qual poderia conter fundamentos de uma teoria do imaginário, das representações e da aprovação discursiva. Profª Lúcia Helena mencionou a perspectiva “sociologizante” (que dissolve a natureza no homem) e “ecologizante” (que dissolve o homem na natureza). Prof. Dimas lembrou que “a pedra não pensa; o homem pensa mas pode pensar errado”. Indagou sobre qual seria o ponto de partida, se os contextos estão misturados. Apresentou, como possibilidade, partir da cultura e reivindicar uma singularidade aos fenômenos. E mencionou o desafio lógico ou teórico de reconhecer o momento quântico em que a unicidade se torna diferenciada. Profª Lúcia Helena disse que o mar, por exemplo, impõe condições, e tem, por assim dizer, uma fala. Prof. Dimas acrescentou que isso remete à possibilidade de uma perspectiva biológica diferente, a partir, por exemplo, de construtos ou elementos de natureza cibernética; o que levaria uma pessoa a rever suas referências a partir das quais compreende, posiciona-se diante de, representa e interpreta o mundo. Lembrou o construtivismo social do antropólogo, sociólogo e filósofo da ciência francês Bruno Latour, ao reconhecer que as coisas são simultâneas: pensamento e ação. Profª Lúcia Helena considerou a importância de o tema tratado no texto ser apresentado, como aula, a alunos de pós-graduação. Profª Maria do Rosário lembrou que, na primeira edição do encontro da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Ambiente e Sociedade (Anppas), foi apresentada a pergunta: “por que educação socioambiental?”. Profª Lucia Helena fez menção ao problema de um conceito de natureza fixo, a partir de um olhar urbano industrial. Maria Fernanda citou o livro do historiador norte-americano Warren Dean que ganhou tradução de Cid Knipel Moreira intitulada A Ferro e Fogo: a história e a devastação da mata atlântica brasileira (São Paulo: Companhia das Letras, 1993). Profª Maria do Rosário disse achar difícil dissociar o socioambiental, que contempla as naturezas humana e não humana. Prof. Dimas mencionou o problema das definições de estratégias de sustentabilidade, em especial no que se refere à dimensão a ser considerada diante de processos tecnológicos de mediação. E indagou como seria possível dispor de uma teoria geral que contemple entendimentos, por exemplo, em Guaraqueçaba e em Lyon; e como seria possível, nela, levar em conta aspectos da subjetividade. Profª Lúcia Helena propôs um trabalho no tema “cultura e natureza: bases epistemológicas” para ser feito “a quatro mãos” (Prof. Dimas e Profª Lucia Helena). Valorizou a presença da diversidade ou da diferença em textos de natureza socioambiental. E mencionou um texto que polemiza a idealização das diferenças, mencionando, como exemplos: o apelo midiático e publicitário à diferença; a questão de fundo: estabelecer um nexo com a questão da igualdade da espécie humana, tanto biológica como social; e a observação de que, se a diferença for extremada, pode acontecer que surja um outro tão “outro” que, portanto, seja considerado como destituído de direitos. Profª Maria do Rosário lembrou o educador canadense Peter McLaren, ao dizer da necessidade de aceitar o outro como diferente, mas não como desigual ou inferior. Prof. Dimas lembrou a perspectiva feminista, também no contexto do direito às diferenças, e indagou se não seria uma fantasia a ideia de universal, por exemplo, no contexto da democracia. Lembrou também Edgar Morin no contexto das novas universalidades que contemplam as diversidades. Considerou que tal novidade coloca dificuldades a qualquer teoria social, embora seja um problema, talvez permanente, das ciências humanas, o qual ilustrou com referência a como ocorreu o processo de invisibilidade e paulatina visibilidade das populações indígenas. Indagou sobre a possibilidade de haver uma teoria geral capaz de explicar de modo adequado a reemergência indígena. E citou o problema de destacarem-se as grandezas, mas não as mazelas, do multiculturalismo. Profª Lúcia Helena manifestou a ideia de bases epistemológicas do contexto de cultura contemporânea. Prof. Dimas lembrou do crítico literário nascido em Jerusalém sob o Mandato Britânico da Palestina Edward Saïd, de cujos livros um ganhou tradução de Rosaura Eichenberg intitulada Orientalismo: o oriente como invenção do ocidente (São Paulo: Companhia das Letras, 2007). E sugeriu leitura de textos do livro La Colonialidad del Saber: eurocentrismo y ciencias sociales: perspectivas latinoamericanas (Buenos Aires: Clacso, 1993), organizado pelo sociólogo venezuelano Edgardo Lander. David indagou sobre ser o diálogo de saberes voltado a um fim outro ou um fim em si mesmo: o que motivou a apresentação, por parte do Prof. Dimas, de um exemplo no campo jurídico, comparando os papéis do advogado e do promotor público. Prof. Dimas fez menção à possibilidade, ou mesmo à necessidade, de uma ciência pública, e lembrou a filósofa belga Isabelle Stengers no particular referente à necessidade de reinventar a ciência moderna. Maria Fernanda mencionou existência de legislação sobre Medicina em comunidades tradicionais. Profª Maria do Rosário relatou brevemente a experiência de uma dissertação de mestrado interdisciplinar que, por meio de pesquisa-ação, relacionou educação e saúde. Prof. Dimas perguntou se haveria mais manifestações e, como não houve, encerrou a reunião. Curitiba, 19 de junho de 2015. …...........................
Para saber mais sobre o Projeto, acessar o link: http://meioambienteculturaesociedade.blogspot.com.br/2015/07/fundamentos-teorico-metodologicos-dos.html   

Memória n. 8 do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental (27.5.2015)

Minuta de memória da reunião do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental, ocorrida em 27 de maio de 2015, nominalmente das 14h às 16h, nas dependências da Casa Latino-Americana (CASLA). Presentes: Prof. Dimas Floriani, Profª Lúcia Helena de Oliveira Cunha, Profª Maria do Rosário Knechtel, Maria Fernanda Cherem, David Fadul, Guilherme Silva e José Thomaz. 1. Informes. O Prof. Dimas informou sobre evento ocorrido no litoral paranaense, que contou com presença do Prof. Dr. Alfredo Wagner, que trabalha com a ideia de ressignificação da territorialidade, em conformidade com uma reivindicação de que os sujeitos possam definir sua própria cartografia, e do Prof. Dr. Jorge Montenegro, da UFPR (Setor de Ciências da Terra, Departamento de Geografia), que atua, entre outros, nos temas cartografia social, povos e comunidades tradicionais e conflitos pela terra e pelo território; além de doutorandos e de outros pesquisadores. 2. Atividade referente a livro de D. Martuccelli. Prof. Dimas teceu comentários sobre o livro de Danilo Martuccelli intitulado ¿Existen individuos en el Sur? (Santiago de Chile: LOM). A ideia inicial era iniciar um debate entre os presentes sobre o conteúdo das duas primeiras partes do livro; mas esse debate ficou postergado tendo em vista que a Profª Lúcia Helena informou não haver lido o texto por problema relacionado ao modo de disposição das páginas na tela do computador. Prof. Dimas comentou que teorias contêm dispositivos que geram expectativas sobre o que deve acontecer; contêm valores explícitos ou implícitos que dificultam, se não mesmo impedem, o reconhecimento de alguma concepção relativa de neutralidade da ciência. Lembrou da contribuição de Celso Furtado no contexto das propostas de desenvolvimento que, em comparação com a ideia de tendência a uniformização dos processos de desenvolvimento, contemplam mais adequadamente a realidade latino-americana. Mencionou também o problema de construir narrativas que formam imagens do Outro, com destaque para a teoria pós-colonial, que consegue amplitude transcontinental ao abranger regiões da África, da América e da Ásia. Fez referência a José Bengoa, historiador e antropólogo chileno estudioso das história e sociedade mapuches, com destaque para a reemergência indígena e o surgimento de novas categorias de análise; e a Aníbal Quijano, sociólogo peruano conhecido pelo conceito de colonialidade do poder, conceito que se relaciona com a ideia de colonialidade do saber; pensadores cujas concepções diferem fortemente, por exemplo privilegiado, do modelo dos estágios de crescimento de Rostow, proposto pelo economista norte‑americano Walt Whitman Rostow. Profª Lúcia Helena mencionou uma crítica, creditada ao frade dominicano Frei Betto, de que o recente aumento dos bens para a classe média brasileira privilegiou bens de consumo e não bens sociais. Prof. Dimas destacou a importância de, nos discursos, caracterizar os pontos de vista: por exemplo, de que capitalismo se esteja a falar; e de que ponto de vista se fala de modernidade. E citou brevemente os nomes de Nestor García Canclini, filósofo e antropólogo argentino que reside no México, e Daniel Mato, antropólogo venezuelano e doutor em ciências sociais. Profª Maria do Rosário menciona que, em países nórdicos, todos têm ensino médio, e que aquelas sociedades conseguiram implementar a social-democracia. Prof. Dimas fez breve leitura de um trecho do mencionado livro de Martuccelli (de parte da p. 107 até parte da p. 108), referente a diferentes processos de individuação. Fez menção também às duas opções apresentadas pelo economista alemão Albert Otto Hirschmann diante da insatisfação de um membro em uma organização: “exit”, ou seja, romper relação; ou “voice”, isto é, tentar repará-la ou melhorá-la, valendo-se, para tanto, de processos comunicativos (neste caso, contando bastante a lealdade pelo grupo). Fez breve menção ao assédio cultural, que, por divulgar uma ideia de uniformização de hábitos e de costumes, pode dificultar a compreensão de que os padrões em diferentes sociedades não são, por vezes, os mesmos. Citou, na qualidade de estados formados por diferentes etnias, Equador e Bolívia; e mencionou a importância de pensar em como seria uma democracia diferente, não delegadora, molecular (lembrando, pelo termo, o intelectual francês Félix Guattari). E destacou uma tese, creditada a Martuccelli, de que a democratização está na sociedade e não no Estado; e indagou sobre o que seria uma democracia tutelada. Thomaz comentou que, a seu ver, existe um problema com a democracia aplicada aos processos de escolha coletiva, em especial em contextos de interesse público: uma vez que o que se decide, por meio do voto, é de interesse coletivo e público, cada cidadão deveria votar na proposta que, na visão desse cidadão, conduz a maior benefício coletivo público; entretanto, parece que a racionalidade que permeia esses processos de escolha por vezes pauta-se mais pela visão, e correspondente motivação, que o votante tem enquanto indivíduo, ou enquanto partícipe de grupos menores, do que por sua qualidade de membro da sociedade. Prof. Dimas disse que essa observação remete ao problema da educação cívica: e exemplificou com o caso de um sujeito que, ao colidir seu carro com outro, havendo produção de dano, se ninguém o interpelar em razão da colisão, provavelmente deixará o local sem procurar reparar o dano causado. 3. Comunicações e encaminhamentos finais. Prof. Dimas fez menção a atividades programadas para o Grupo de Pesquisa, entre elas uma palestra com Prof. Dr. Nicolas Floriani, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Departamento de Geografia), e uma discussão, agendada para o próximo dia 10 de junho (uma quarta-feira), sobre o texto “Hacia un Pensamiento Socioambiental: aproximaciones epistemológicas, sociológicas y metodológicas”, produzido em coautoria pelos Profs. Dimas Floriani e Nelson Vergara Muñoz, este do Centro de Estudios del Desarrollo Local y Regional (CEDER), Universidad de Los Lagos (Chile). Prof. Dimas fez menção também ao Programa ATLAS (acrônimo para Análisis Territorial Local Aplicado y Sustentabilidad), Programa de Investigación Interdisciplinaria en Complejidad Territorial y Sustentabilidad, vinculado à Universidad de Los Lagos (Departamento de Ciencias Sociales). Curitiba, 2 de junho de 2015. …...............

Memória n. 7 do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental (6.5.2015)

Memória da reunião do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental, ocorrida em 6 de maio de 2015, nominalmente das 14h às 16h30min, nas dependências da Casa Latino-Americana (CASLA). Presentes: Prof. Dimas Floriani, Dra. Gladys de Souza Sánchez, Profª Maria do Rosário Knechtel, Profª Lúcia Helena de Oliveira Cunha, Maria Fernanda Cherem, Alexandre Hedlund, Rafael Braz e José Thomaz. 1. Informes. O Prof. Dimas informou sobre o Laboratório de Estudos Integrados Meio Ambiente, Cultura e Soiciedade, do qual participa o Prof. Nelson Vergara, do Centro de Estudios del Desarollo Local y Regional (CEDER) da Universidad de Los Lagos (Chile), com cujo grupo identifica possibilidades de aprofundar estudos sobre epistemologia, interculturalidade e literatura mapuche. Fez referência também ao Prof. Javier Tobar, da Universidad del Cauca (Colômbia), no contexto do desenvolvimento de pesquisas empíricas com populações tradicionais, identificando possibilidades de o Prof. Tobar integrar a Rede CASLA-Cepial e, conjuntamente, pensar sobre metodologias para estudo e pesquisa com populações tradicionais. Informou também sobre a reunião da Câmara Jurídica da Rede CASLA‑CEPIAL, ocorrida em 17 de abril de 2015 em Florianópolis, e que reuniu desembargadores e membros do Ministério Público (este atuando também como ente preventivo); destacou que a Câmara Jurídica é um espaço de tradução do que a Rede tem visto em termos de populações e vulnerabilidade, que integra dez conselheiros de cada país participante, que trabalham com a questão de populações vulneráveis. Informou também sobre a perspectiva de publicação de uma revista da Rede CASLA-Cepial. O Prof. Dimas apresentou ainda proposta de discussão, em encontro futuro, de um texto por ele elaborado em coautoria com o Prof. Vergara; e fez referência a um evento, agendado para os dias 22 e 23 de maio de 2015, em Paranaguá, com participação do Prof. Joaquim Shiraishi, Professor Visitante na Universidade Federal do Maranhão. Mencionou também a participação em encontro do Grupo de Pesquisa, prevista para o mês de junho de 2015, do Prof. Nicolas Floriani, da Universidade Estadual de Ponta Grossa, cuja pesquisa de pós-doutorado contempla aspectos da cultura mapuche. E mencionou, também, reunião preparatória ao V Cepial, prevista para acontecer, em outubro de 2015, na Universidad del Cauca (Colômbia). 2. Atividade referente a livro de D. Martuccelli. O Prof. Dimas teceu comentários sobre o livro de Danilo Martuccelli intitulado ¿Existen individuos en el Sur? (Santiago de Chile: LOM). A ideia inicial era iniciar um debate entre os presentes sobre o conteúdo das duas primeiras partes do livro; mas esse debate ficou postergado para a próxima reunião do Grupo de Pesquisa, havendo, assim, prazo maior para quem ainda não haja lido o texto fazê-lo. Destacou a forma de expressão do autor, que, por meio de metanarrativas, desenvolve, inicialmente, sua argumentação; que, em conformidade com o texto de Martucelli, os indivíduos latino-americanos não são nem tradicionais nem modernos, pois, por um lado, a influência da colonização deixou marcas importantes em relação a sua cultura original, e, por outro, não lhes cabe simplesmente pautar suas vidas a partir de uma ideia de progresso que adota, como referência, o padrão de desenvolvimento das sociedades europeias, pois tais indivíduos trazem consigo identidades próprias, herdadas de seus ancestrais, de culturas locais; e que, portanto, o estudo das identidades latino-americanas a partir de referências fortemente eurocêntricas revela-se inadequado, em particular porque, a partir de tal perspectiva, aquelas identidades não raro resultam compreendidas como insuficientes ou anômalas. Daí a importância de construir metodologias para identificar a individuação em sociedades, por assim dizer, nem europeias nem tradicionais; metodologias dialéticas entre fatores macro e singulares. 3. Comunicado sobre a Rede CASLA-Cepial. Ao final da reunião, a Dra. Gladys fez um breve comunicado aos presentes sobre a Rede CASLA-Cepial: mencionou que, na CASLA, existem CASLA-Jur (assuntos jurídicos), CASLA-RI (assuntos de relações internacionais) e CASLA-Psico (assuntos psicológicos), e destacou a importância desses segmentos da Rede (em particular a colaboração de um grupo de advogados voluntários) na promoção de condições de vida mais digna a migrantes e a refugiados. Curitiba, 9 de maio de 2015. ….

Memória nº 6 do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental (25.3.2015)

Memória da reunião do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental, ocorrida em 25 de março de 2015, nominalmente das 14h às 16h30min, nas dependências da Casa Latino-Americana (CASLA). Presentes: Prof. Dimas Floriani, Prof. José Edmilson de Souza Lima, Profª Maria do Rosário Knechtel, Dra. Gladys de Souza Sánchez, Mara Monteiro, Felipe Amaral, Rafael Braz, Ricardo Gama e José Thomaz. 1. Informes gerais sobre as atividades da Rede CASLA-Cepial e suas próximas atividades. A Dra. Gladys informou que a rede CASLA‑Cepial envolve diferentes instituições, inclusive internacionais; e que a Casa Latino-Americana (CASLA) trabalha com a questão dos direitos humanos, contemplando liberdade, justiça, interculturalidade, “buen vivir”. Mencionou que a participação indígena no Brasil é diferente da que se verifica na Guatemala, onde é bem mais expressiva; o caso dos municípios com autogestão no México; e o reconhecimento, por parte de indígenas equatorianos, que a ideia de “década perdida” lhes é estranha, no sentido de não se sentirem por ela prejudicialmente afetados. Citou também alguns aspectos da cultura mapuche. Informou que, na CASLA, existem CASLA-Jur (assuntos jurídicos), CASLA-RI (assuntos de relações internacionais) e CASLA-Psico (assuntos psicológicos). Que na CASLA há eixos temáticos, que comportam câmaras temáticas, as quais devem pesquisar realidades dentro de seus temas, publicar e participar de eventos, com destaque para o Congresso de Cultura e Educação para a Integração da América Latina (Cepial). E que há uma câmara jurídica internacional de direitos humanos da Rede CASLA-Cepial. Mencionou haver um colegiado ou conselho deliberativo, e também conselhos deliberativos temáticos, constituídos por representantes de câmaras temáticas. No contexto internacional, informou sobre a colaboração proveniente das universidades colombianas de Antioquia, Cauca e Medellín. O Prof. Dimas mencionou a boa aderência de instituições chilenas. A Dra. Gladys mencionou também o encontro sobre migrações que, embora deva acontecer em Curitiba, é organizado no México, além de colaborações da Argentina, do Equador e do Uruguai. No Brasil, mencionou colaborações de pesquisadores do Maranhão, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul e de Rondônia; informou sobre o interesse de pesquisadores da Unespar, que estiveram presentes em Osorno, em participar da Rede CASLA‑Cepial; destacou a importância de contatos com departamentos, programas de pós-graduação e instituições; disse aos presentes que fossem bem-vindos à Rede, e ausentou-se da reunião. Os presentes receberam também um texto sobre a Rede. 2. Apresentação de documento sobre projeto de pesquisa Estudos Integrados em Meio Ambiente, Cultura e Sociedade: uma perspectiva latino-americana. Inicialmente, foi distribuído um pequeno documento elaborado pelo Prof. Dimas Floriani, apresentando resumidamente o que constitui o projeto de pesquisa Estudos Integrados em Meio Ambiente, Cultura e Sociedade: uma perspectiva latino‑americana. Esta apresentação tinha por finalidade apontar os principais temas constitutivos do projeto, para apontar algumas estratégias de seminários, a fim de abordar em diferentes etapas os temas centrais do mesmo. Assim, como primeira tarefa destacou‑se a importância de discutir alguns dos fundamentos epistemológicos vinculados aos seguintes aspectos: 2.1 buscar entender quais são os referenciais teóricos sobre uma teoria do conhecimento (científico e não científico, teoria da complexidade) capazes de nos colocar diante do debate atual das principais correntes teóricas que possibilitem abordar as questões socioambientais (sustentabilidade, ética e justiça ambiental), a interculturalidade (desafios teóricos desde as concepções da descolonização e de uma epistemologia do Sul) e a teoria política (teorias do conflito social, da democracia, no contexto latino-americano). A ordem dos seminários para abordar esses temas não necessita obedecer necessariamente ao critério do mais teórico ao mais concreto; pode-se ir intercalando textos e discussões sobre epistemologia, interculturalidade, teoria política, etc. segundo se defina no coletivo dos seminários. 2.2 Uma segunda etapa, que também pode vir intercalada com os estudos mais teóricos, é a apresentação de resultados de pesquisas em andamento, por parte dos pesquisadores que fazem parte do Projeto de Estudos Integrados, a fim de trazer elementos interessantes para ir tensionando o diálogo com as concepções mais teóricas dos seminários. Neste sentido, prevê-se a apresentação, em maio/15, do andamento da pesquisa do Prof. Dr. Joaquim Shiraishi Neto (UFMA), que desenvolve importante pesquisa sobre os Direitos da Natureza e as Populações Tradicionais, em perspectiva comparada com as situações do Brasil, Bolívia, Equador e Colômbia. O Prof. Joaquim virá a Curitiba para participar de um encontro sobre Populações Tradicionais e aproveitaremos para que nos apresente alguns dos aspectos centrais de sua pesquisa no atual andamento da mesma. Da mesma maneira, o Prof. Nicolas Floriani apresentará em junho/15 alguns dos resultados de sua pesquisa sobre Bosques Nativos e as práticas de manejo por parte dos povos mapuches williche do sul do Chile, suas cosmovisões, práticas materiais e conflitos dos territórios ameaçados pela exploração dos recursos naturais das atividades produtivas de mercado. 2.3 Está prevista também uma terceira etapa no Projeto que aborde aspectos metodológicos das pesquisas sobre os temas centrais do mesmo. Esta etapa tem como finalidade apresentar resultados capazes de contribuir para estudos que se propõem a pesquisar temas afins aos apresentados no Projeto de Estudos Integrados. 2.4 As três etapas deverão ser desenvolvidas em 36 meses, com apresentação de resultados parciais em, pelo menos, uma vez por ano. Neste sentido, está previsto um primeiro encontro de avaliação do andamento das atividades, mas também com apresentação por escrito da primeira etapa (fundamentos epistemológicos sobre os temas centrais do Projeto), em outubro (20 a 23) na Universidad del Cauca, Magister de Estudios Interdisciplinarios del Desarrollo, na cidade de Popayán, sob a coordenação do antropólogo Dr. Javier Tobar. 2.5 Será enviado a cada pesquisador participante do Projeto um pequeno questionário sobre suas propostas de trabalho relativas a cada uma das etapas, a fim de montar uma espécie de Agenda relativa a cada momento de reunião do coletivo, nos respectivos momentos de cada uma das 3 etapas. A ideia é que se possa ir produzindo textos sobre cada uma das etapas visando a publicação em livro ou, pelo menos, um dossiê para publicar em algum periódico acadêmico-científico. 2.6 Só a título de lembrança para quem faz parte da linha de Epistemologia Ambiental vinculada ao Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Meio Ambiente e Desenvolvimento, o calendário para os seminários de discussão de abril a junho ficou assim estabelecido: 15 de abril (14-16:30 horas) – apresentação dos resultados de pesquisa (tese e dissertação já defendidas) sobre projetos de impactos socioambientais (Rafael Braz) e percepções e usos de um parque no contexto de expansão urbana (Felipe Amaral); 06 de maio – discussão sobre a primeira parte do livro do sociólogo peruano Danilo Martuccelli ¿Existen Individuos en el Sur? (Santiago, Editorial LOM, 2010), uma abordagem sobre os processos de construção de sociabilidade latino‑americana na perspectiva de estudos interculturais e da descolonização do pensamento; e 27 de maio – apresentação das pesquisas de tese em andamento (pré‑qualificação) sobre projetos de impacto (hidrelétrica e populações tradicionais) e sociologia dos desastres: Mara Monteiro, Ricardo Gama e Adriana Ruela. Ainda em maio e junho/15, como já indicado acima, estão previstas as apresentações dos pesquisadores Joaquim Shiraishi Neto (UFMA) e Nicolas Floriani (UEPG) sobre o andamento de seus respectivos projetos de pesquisa sobre Os Direitos da Natureza e as Populações Tradicionais e Bosques Nativos, cosmovisões e práticas materiais. 2.7 A linha de Epistemologia Ambiental se insere no Ppgmade (Programa Interdisciplinar em Meio Ambiente e Desenvolvimento) da UFPR, e a temática geral da atual turma do MADE tem como título: Conflitos e (In)Justiça Ambiental, Resistências, Estratégias e Alternativas de Desenvolvimento; como bem sugere esse tema comum articulador, está-se diante de um debate que envolve atores/sujeitos/agências, dimensões de cultura e interculturalidade, governança e estratégias participativas (democracia), bem como estratégias que apontam para uma diversidade de experiências de construção alternativa de desenvolvimento. 2.8 O Projeto de Pesquisa Estudos Integrados em Meio Ambiente, Cultura e Sociedade: uma perspectiva latino-americana faz parte também da Rede Internacional CASLA-Cepial, integrando instituições e pesquisadores do Brasil, Chile, Colômbia e México, e faz parte da Câmara Temática em Meio Ambiente na América Latina. Ademais, está registrado no CNPq, como projeto contemplado pela Bolsa Produtividade em Pesquisa, para o período 2015-2018. 3. Organização da apresentação do projeto de pesquisa da linha de Epistemologia Ambiental para terça-feira, 31 de março, às 14 horas. Ficou definido que os professores da linha farão menção a experiências interdisciplinares já desenvolvidas em anos anteriores e discorrerão sobre seus interesses de pesquisa, procurando identificar eventuais convergências entre os temas de interesse de pesquisa dos professores e as expectativas dos alunos quanto ao desenvolvimento de suas dissertações de mestrado e teses de doutorado. 4. Qualificação (final de maio) de doutorado de Adriana Ruela, Mara Monteiro e Ricardo Gama. Conforme já informado no item 2.6, ficou estabelecido que os doutorandos realizarão uma prévia da qualificação.

Memória nº 5 do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental (3.10.2014)

Memória da reunião do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental, ocorrida em 3 de outubro de 2014, nas dependências da CASLA – Casa Latino-Americana.

Presentes: Prof. Dimas Floriani, Prof. José Edmilson Souza Lima, Profª Maria do Rosário Knechtel, Adriana Ruela, Katya Isaguirre, Lilian Fiala, Mara Monteiro, Melina Gunha, Alexandre Hedlund, Christian de Britto, David Fadul, Felipe Amaral, Geraldo Milioli, Guilherme Silva e José Thomaz. 1. Considerações iniciais. O Prof. Dimas recordou o contexto da elaboração do projeto de pesquisa encaminhado ao CNPq, e fez referência, entre outros, aos perfis acadêmicos dos Professores James Clarke, Nelson Vergara Muñoz, Bernardo Javier Tobar Quitiaquez e Narciso Barrera Bassols. 2. Manifestações sobre interesses de pesquisa. Os participantes falaram sobre seus interesses de pesquisa, e o Prof. Dimas apresentava considerações sobre as manifestações. Prof. José Edmilson de Souza Lima: a compreensão dos contornos do campo de conhecimento ambiental tomando como referência as configurações de um sujeito cognoscente que emerge junto com o novo campo. Profª Maria do Rosário Knechtel: a multi-interculturalidade e dignidade humana na América Latina com interfaces com uma ética ambiental e cívica. Adriana Ruela: aprofundar o debate da emergência de um novo problema social relacionado à implantação de usinas hidrelétricas, o dos impactos sociais indiretos, compreendendo essa emergência como um possível indicador do esgotamento do mito desenvolvimentista dentro do próprio Estado brasileiro. Katya Isaguirre: aproximações e releituras da teoria do sujeito na perspectiva socioambiental. Foco nos conflitos socioambientais de uso e apropriação do território. Lilian Fiala: trabalhar a questão da sustentabilidade nos pequenos negócios, dos informais até o nível da micro e pequena empresa. Verificar a percepção do empreendedor sobre meio ambiente e sustentabilidade; verificar as práticas sustentáveis nesses negócios, e o nível de consciência das mesmas no empreendedor. Verificar que fatores exógenos ao negócio podem melhor contribuir para que a questão da sustentabilidade seja realmente trabalhada nesses negócios de forma ampla. A parte dessa pesquisa principal descrita acima interessa também por assuntos como o consumo consciente, ação cidadã. Mara Monteiro: analisar as relações sujeito-mundo, os componentes que formam as imagens de mundo dos sujeitos no processo de construção de convencimento, com enfoque nos sistemas tradicionais de conhecimento. Na literatura está baseado nas epistemologias do Sul e nos estudos interculturais. Melina Gunha: interesse em educação ambiental e a relação com o território e o sentimento de pertença de um local e de um não local; gostaria de pesquisar o que isso afetaria num contexto de ecoformação. Alexandre Hedlund: construções de epistemologias do Sul; perspectivas e limites de racionalidades ambientais e periféricas do Sul, assim como as consequências da continuidade de uma racionalidade econômica, tendo como temas transversais as concepções de vulnerabilidade e de justiça socioambiental; além disso, discutir aspectos relacionados ao cotidiano e imaginário. Christian de Britto: abordar o processo de implantação da indústria para-petrolífera em Pontal do Paraná, localizando, para tanto, impactos socioambientais locais; a pesquisa tem por objetivo, também, a aplicação do pensamento sistêmico multimodal como método capaz de fundamentar uma análise sociológica crítica de diversos fatores e aspectos relacionados ao atual contexto da região. David Fadul: faz suas as palavras do Prof. Edmilson. Felipe Amaral: trabalhar no (ou se aproximar do e, na medida do possível, contribuir com o) eixo de elaboração de metodologias para captação do cotidiano dos grupos. Geraldo Milioli: pensamento ecossistêmico para a relação sociedade-natureza e a sustentabilidade. Guilherme Silva: a priori, trabalhar com representações de comunidades tradicionais em relação aos discursos locais, suas identidades, seus cotidianos, o “senso comum” em relação a sua percepção do meio ambiente. E trabalhar do ponto de vista teórico-metodológico com vem sendo trabalhada a epistemologia ambiental especificamente no ensino superior mediante a Lei nº 17.505/2013. José Thomaz: a necessária compatibilidade entre uma ética cívica e ambiental, alicerçada nos valores essenciais da dignidade humana, da justiça substantiva e da liberdade, e a pluralidade de vidas boas com eles compatíveis, com interfaces com multi-interculturalidade na América Latina. 3. Encaminhamentos. 1) O Prof. Dimas manifestou a importância de o conteúdo do módulo de epistemologia ambiental, a ser ofertado no MADE, privilegiar aspectos substantivos, com a proposição de atividades à maneira de seminário. 2) O Prof. Dimas informou da possibilidade de inscrição, até final de outubro, de interessados em participar no IV CEPIAL – Congresso de Cultura e Educação para a Integração da América Latina, evento agendado para de 19 a 23 de janeiro de 2015 na Universidad de Los Lagos, em Osorno, no Chile, coordenado pela Rede Casla-Cepial. Curitiba, 13 de outubro de 2014.

Memória n. 4 do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental (24.4.2014)

Além de seu interesse em filosofia contemporânea, o Prof. Vergara, cujo projeto sobre hermenêutica do território termina em 2015, pretende continuar pesquisando a hermenêutica da temporalidade. 2. Manifestações sobre atuação acadêmica e interesses de pesquisa. Geraldo (interesse no pensamento da descolonização, aprovou o projeto de pós-doutorado sobre Pensamento Ecossistêmico e sua aplicabilidade na realidade), Katya ( considera que há interesses entre os temas; atua na área de direito ambiental e rural. Além disso, atua socialmente com movimentos sociais, direitos humanos e os bens comuns com povos tradicionais). Sua pesquisa se desenrola no Parque Nacional do Superagïo (desterritorialização), além de acompanhar grupos de agroecologia e políticas públicas e agricultura familiar, democracia (consenso e conflito). Na tese, abordou a constituição do sujeito. Oferece disciplina sobre Territorialidade e Direitos Humanos, no curso de Direito da UFPR) , Thomaz ( Trabalha com economia, de uma maneira substantiva e se indaga sobre a improbabilidade de apresentar pesquisa desse gênero em outros programas da universidade; viu no Made a possibilidade de refletir sobre uma epistemologia aplicada à sustentabilidade. No momento, busca expandir o campo para justiça social substantiva e ética cívica (virtude cívica). Como esses valores são aceitos em sociedade?), Rafael ( A Usina Hidrelétrica de Mauá (os mitos do desenvolvimento e discursos a favou ou contra. Transita entre a esfera jurídica, atores governamentais e não governamentais e grupos de pesquisa), Melina (bióloga, UEPG) e cursa o mestrado. Fazia coleta de água e a partir disso começou uma atividade de questionamentos sobre esse recurso vital. Fez especialização em Ecoformação no MADE) e pretente aprofundar a pesquisa nessa área), Natália (pertence à linha do rural. Faz mestrado, e é gestora ambiental. Seu tema trata de justiça ambiental na APA de Guaraqueçaba) , Alexandre ( formação em direito, com mestrado em desenvolvimento, na UNIJUÍ, onde abordou políticas neoliberais e desenvolvimento sustentável, com ênfase na América Latina. Pretende aprofundar o debate sobre epistemologias do sul, racionalidade ambiental e a (in)visibilidade dos sujeitos como atores), David ( formação em direito e seu tema de pesquisa indaga como o direito lê o meio ambiente. Seu domínio de pesquisa abarca o direito e o campo ambiental), Guilherme (egresso da UEPG em ciências biológicas. Pertence ao Depto. de Recursos Hídricos e seu interesse versa sobre percepção e discurso ambiental, a partir das teorias de Moscovici) e Lilian (com formação em economia, cursa o mestrado. Seu interesse se aplica às estratégias de combate à pobreza, responsabilidade corporativa, inter-relação dos atores, consumo, pequenos negócios. Tem especialização em gestão comunicacional).   Após as manifestações, o Prof. Vergara fez também algumas considerações. 3. Encaminhamentos. O Prof. Dimas manifestou a intenção de elaborarem-se seminários sistemáticos a partir de julho ou de agosto, com leitura prévia de textos seguida de apresentação, e com o objetivo de produzir um livro em um prazo de um ano a um ano e meio.
Resumidamente, o que ficou estabelecido como estratégia da linha, foram os seguintes pontos:
1) Em termos de colaboração possível entre nossa linha e CEDER:
a) publicação de livro em comum, com 3 partes ( 1 teória, 1 com resultados de teses e 1 com projetos em andamento ou intenções e/ou reflexões teóricas aprofundadas);
b) Intercâmbios alunos/professores.
2) Seminários teóricos da linha; temas que servem para aprofundar conteúdos/autores e que ao mesmo tempo permitam definir projetos e subprojetos de pesquisa.

3) Evento (Encontro) Internacional sobre Interculturalidade, Direitos Coletivos e Relações Internacionais que ocorrerá em Curitiba em 14 e 15 de agosto de 2014, no contexto da Rede Casla-Cepial.