Memória No.11 da reunião do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental (memória elaborada pelo Prof. José Thomaz Mendes), ocorrida em 22 de
julho de 2015, nominalmente a partir das 14 horas, nas dependências da Casa
Latino-Americana (CASLA). Presentes (com base também em lista de
presença): Prof. Dimas Floriani, Profª Lúcia Helena de Oliveira Cunha, Profª
Maria do Rosário Knechtel, Adriana Ruela, Christian de Britto, David Fadul,
Flávio Ferreira, Geraldo Milioli, Rafael Braz, Ricardo Gama e José Thomaz. 1.
Breve relato e ou apresentação de considerações sobre capítulos do livro “A
Colonialidade do Saber”, organizado por Edgardo Lander. Passou-se então a
breves relatos e ou apresentações de considerações sobre capítulos do livro A
Colonialidade do Saber: eurocentrismo e ciências sociais; perspectivas
latino-americanas (Buenos Aires: Clacso, 2005), organizado pelo sociólogo
venezuelano Edgardo Lander. 2.1 Exposição de Ricardo Gama sobre o
capítulo “O lugar da natureza e a natureza do lugar: globalização ou
pós-desenvolvimento?”, de Arturo Escobar. Ricardo Gama identifica no texto
contraponto a globalização econômica, com base em experiências locais e com
destaque para a dificuldade de trabalhar realidades locais. Percebeu
aproximação com a ideia de globalismo localizado, do professor português, agraciado
com o grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada,
Boaventura de Sousa Santos. Identificou ainda as questões de como buscar
alternativas a modelos de inspiração capitalista e de como dar visibilidade a
outros modos de vida. E fez menção a que, com referência ao binômio
sociedade-natureza, o Sul periférico vê o sujeito dentro do ambiente. Prof.
Dimas comentou sobre a importância de identificarem-se as estratégias, isto é,
como são entendidos os debates sobre a natureza e sobre o lugar. 2.2.
Exposição de Adriana Ruela sobre o capítulo “O lugar da natureza e a natureza do lugar: globalização ou pós-desenvolvimento?” de Arturo Escobar.
Adriana Ruela disse haver encontrado mais perguntas que respostas no texto, e
que este tem grande mérito na nota política com ciência social pública, com
destaque para atores sociais responsáveis.
Ricardo Gama observou, com referência ao exposto, o lugar como
historicamente contextualizado. Prof. Dimas ponderou que a resistência nasce de
uma (auto)consciência, e que a experiência é concreta, não abstrata (como seria
uma sociedade alternativa). Citou o semiólogo italiano Umberto Eco, quanto ao
binário apocalípticos e integrados, com os europeus sendo identificados com os
segundos. Fez também menção à teoria do pós-desenvolvimento, do sociólogo peruano
Arturo Escobar: indagando sobre o sentido que teria falar em
pós-desenvolvimento, concluiu que, no fundo, este seria o retorno à política.
Apresentou a questão da utilidade que isto teria para pensar um modelo de
desenvolvimento, seguida da de ser ou não legítimo pensar diferente; e concluiu
que a realidade mostra outros sinais, e que as ciências sociais precisam ficar
atentas a eles. 2.3 Exposição da Profª Lucia Helena de Oliveira Cunha sobre
o capítulo “Ciências sociais, violência epistêmica e o problema da 'invenção do
outro'”, de Santiago Castro-Gomes.
Profª Lucia Helena fez menção ao significado do projeto de modernidade
com ênfase no conhecimento técnico-científico com contribuição das ciências
sociais. Considerou a questão problemática não ser só olhar o outro, mas
fazê-lo destituindo o outro de sua própria racionalidade. Mencionou a
caracterização do Estado como garantidor da organização racional, com critérios
científicos (citando práticas disciplinares), constituições, invenção da
cidadania com identidades homogêneas, manuais de urbanidade e gramáticas de
idiomas; a pós-modernidade assentada na globalização, com interrogação à ideia
de fim da modernidade; a passagem do poder disciplinar ao poder libidinoso; no
contexto colonial, a supressão da diferença, e no contexto pós-colonial, a
necessidade de ajustar as ciências sociais ao capital global. E concluiu com a
ideia composta de descolonizar as ciências sociais e a filosofia na América
Latina; de livrar-se de categorias binárias; e de revitalizar a tradição da
teoria crítica. Prof. Dimas lembrou que dialogar não quer dizer assimilar, e
que é possível empreender um diálogo a partir das “brechas”, não remoendo
eternamente a ideia de exploração. Lembrando da filósofa belga Isabelle
Stengers, apresentou a questão de como se separam e como se distanciam o médico
e o curandeiro. Profª Lucia Helena recordou a importância das referências
históricas do antropólogo francês nascido em Bruxelas Claude Lévi-Stauss, e leu
um trecho de um texto de Boaventura de Sousa Santos, no qual há menção aos
conhecimentos tradicional e científico. Prof. Dimas considerou que não se
tratar de anular a ciência, mas de coexistir, e mencionou o exemplo da cultura
mapuche no Chile, que é reconhecida pelo Estado. Mencionou ainda o médico e
geógrafo Josué de Castro e a concepção de uma geografia da fome; o educador
Paulo Freire e as ideias de resistência e de nacionalismo; o líder nacionalista
cubano José Martí; o semiólogo argentino Walter Mignolo e as ideias de uma
dupla consciência e dos povos silenciados; a sociologia do desenvolvimento; o
crítico literário nascido em Jerusalém sob o Mandato Britânico da Palestina
Edward Saïd; e a ideia de um inventário para identificar a emergência da
colonialidade. Neste último particular, considerou que a colonialidade tem uma
história, na qual se identifica insurgência contra a condição de subalterno; e
que Walter Mignolo posiciona a colonialidade na perspectiva geopolítica. Prof.
Dimas indagou em que ponto a colonialidade está presente nos interesses de
pesquisa dos membros do grupo, e considerou que são reivindicados espaços de
reflexão contra-hegemônicos. Fez menção à teoria do sistema mundo, creditada ao
sociólogo estadunidense Immanuel Wallerstein. E reconheceu que, no fundo,
existe uma epistemologia, um novo modo de olhar, diferente das epistemologias
europeia e norte-americana; neste particular, advertiu quanto ao perigo de
naturalizar o pensamento, e qualificou o livro do sociólogo peruano Danilo
Martuccelli intitulado ¿Existen individuos en el
Sur?
(Santiago de Chile: LOM) como equilibrado entre Europa e América Latina. Profª
Lucia Helena perguntou como o Prof. Dimas vê a contribuição do engenheiro
mexicano Enrique Leff. Prof. Dimas respondeu que Leff traz uma novidade que não
faz sentido para a Europa; e considerou que na Bolívia el buen vivir já
é uma espécie não utópica de realidade. Fez ainda menção à antropóloga inglesa Marylin Strathern, em cuja tese de
doutorado estudou as relações matrimoniais e disputas de corte entre o povo
Melpa, na Nova Guiné; o antropólogo francês Philippe Descola; e o
antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, no contexto de uma agenda para repensar
o conceito de natureza. Profª Maria do Rosário mencionou a importância de ver o
homem como parte da natureza. Prof. Dimas citou a contribuição do médico
austríaco Sigmund Freud no particular em que este considerava a neurose como
decorrente, em medida importante, do afastamento entre o ser humano e as
condições naturais da vida; e a advertência do filósofo prussiano Immanuel Kant
de que, para além da lógica, é necessária a ética. Profª Maria do Rosário
mencionou a concepção de comportamentos tidos como superiores e de outros tidos
como superiores. Prof. Dimas observou que a cultura indígena não está
incorporada no cultura brasileira em geral. Christian destacou a importância de
evitar a “sociologia do ressentimento”, e Profª Lucia Helena, a de evitar
comportamentos binários ou mutuamente alternativos. Prof. Dimas reiterou a importância
de aproveitar as “brechas” europeias, citando brevemente o químico russo
naturalizado belga, e laureado, em 1977, com o Prêmio Nobel de Química, Ilya
Prigogine, e Isabelle Stengers; e mencionando a ideia, creditada a Boaventura
de Sousa Santos, de uma visão europeia como visão particularista do universal.
Considerou ainda Brasil, Equador e Uruguai como realidades distintas, elas que
foram estudadas por um teórico alemão; e que, por exemplo, os construtos
teóricos sobre política democrática desenvolvidos pelo cientista político
estadunidense Robert Dahl teriam dificuldade para serem aceitos na cultura
(política) brasileira. 2.4. Exposição da Profª Maria do Rosário sobre o
capítulo “Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina”, de Aníbal
Quijano. Profª Maria do Rosário iniciou com breve informação sobre o autor
e sobre as referências usadas no texto, no qual identificou, por assim dizer,
uma tríplice análise: crítica, documental e histórico-descritiva. Identificou
como pressuposto a descolonização da sociedade como ponto de partida da
referência eurocêntrica, com destaque para a feliz expressão “tempo de deixar
de ser o que não somos”. Identificou, na qualidade de alternativa ontológica, a
diferença entre colonialismo e colonialidade. Reconheceu, no texto, a
importância do papel criativo do intelectual e a caracterização da globalização
como culminância da colonização da América Latina e como triunfo do capital.
Notou que o autor usa o conceito de raça como construção mental, que ressalta o
caráter colonial. Em termos de categorias, identificou: a América e o novo
padrão de poder mundial; raça como categoria mundial da modernidade; a
colonialidade do poder e o capitalismo mundial; o capitalismo com forma de
exploração do trabalho; um novo padrão de poder mundial e uma nova
intersubjetividade mundial; a questão da modernidade e sua relação com o poder
eurocêntrico; o capital e o capitalismo; e considerou também os dualismos
duplamente caracterizados homogeneidade/continuidade e heterogeneidade/descontinuidade.
Prof. Dimas fez menção aos Sete Ensaios de Interpretação da Realidade
Peruana (São Paulo: Alfa-Ômega), de autoria do sociólogo e jornalista
peruano José Carlos Mariátegui, originalmente publicados em língua espanhola
(Lima: Minerva, 1928); à expressão “marginalidade social”, identificada com a
obra de Aníbal Quijano; e considerou que colonialidade é diferente de
colonialismo.
Projeto de Pesquisa registrado no CNPq cujo objetivo é reunir pesquisadores latino-americanos, com metodologia interdisciplinar, por meio de pesquisas, seminários e publicações em Meio Ambiente, Cultura e Sociedade. Este projeto (2015-18) é coordenado pelo Prof. Dr. Dimas Floriani, responsável pela linha de Pesquisa em Epistemologia e Sociologia Ambiental do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Meio Ambiente e Desenvolvimento da UFPR e inserido na Rede Internacional CASLA-CEPIAL Semeando Novos Rumos / Sembrando Nuevos Senderos (Coordenação Geral de Casa Latino-Americana - CASLA). Clique para acessar o projeto.
ESTAMOS INICIANDO UMA NOVA CAMINHADA EM 2019. Registramos novo projeto de pesquisa no CNPq (2019-2021), com o título de:
CONFLITOS DO SOCIOAMBIENTALISMO DESDE AS MARGENS: as intermitências do desenvolvimento e da democracia na América Latina.
Estamos associando ao projeto o(a)s doutorando(a)s da Linha de Epistemologia Ambiental do PPGMADE (UFPR).
ESTAMOS INICIANDO UMA NOVA CAMINHADA EM 2019. Registramos novo projeto de pesquisa no CNPq (2019-2021), com o título de:
CONFLITOS DO SOCIOAMBIENTALISMO DESDE AS MARGENS: as intermitências do desenvolvimento e da democracia na América Latina.
Estamos associando ao projeto o(a)s doutorando(a)s da Linha de Epistemologia Ambiental do PPGMADE (UFPR).
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
sábado, 11 de julho de 2015
Memória no. 9 do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental (10.6.2015)
Minuta de memória da reunião
do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental, ocorrida em 10
de junho de 2015, nominalmente das 14h às 16h, nas dependências da Casa
Latino-Americana (CASLA). Presentes: Prof. Dimas Floriani, Profª Lúcia
Helena de Oliveira Cunha, Profª Maria do Rosário Knechtel, Maria Fernanda
Cherem, David Fadul e José Thomaz. 1. Informes. O Prof. Dimas
informou sobre apresentação de justificativa de Rafael Braz para não
comparecimento à reunião. 2. Discussão sobre o texto “Hacia un Pensamiento
Socioambiental: aproximaciones epistemológicas, sociológicas y metodológicas”,
produzido em coautoria pelos Profs. Dimas Floriani e Nelson Vergara Muñoz.
Prof. Dimas informou que o texto fora discutido, em 2 de junho de 2015, no
Centro de Estudios del Desarrollo Local y Regional (CEDER), Universidad de Los
Lagos (Chile); e que naquela ocasião fora sugerido que a parte III, “Teorías y
métodos de investigación en temas socioambientales”, fosse tratado em outro
texto. Prof. Dimas comentou sobre características da produção de um texto em
coautoria, em particular quando a convivência entre os autores é relativamente
recente; e que o Prof. Vergara se aproxima do pensamento complexo do
antropólogo, filósofo e sociólogo francês Edgar Morin. Comentários: a)
que a introdução apresenta questões socioambientais como crise do pensamento;
b) que existe necessidade de uma epistemologia da complexidade; c) que existe
necessidade de dizer em que consiste cada epistemologia; d) que cada uma das
posições perante o conhecimento é influenciada culturalmente, por meio de
racionalidades; e) lembrou-se do princípio de recursividade, de Edgar Morin,
que, por assim dizer, internaliza externalidades de natureza cultural; f) que
correlação e interdependência [captadas pela figura de “rede”] representam
melhor a questão [da consideração de elementos socioambientais] do que a ideia
de encadeamento, uma vez que esta significa a relação causa-efeito e a noção de
rede não é monocausal e policêntrica; g) a ideia de que a razão da vida social
é produzir sentido, e de que os jogos de linguagem permitem revelar e esconder;
h) a existência de um debate semântico entre substantivo e adjetivo referente
ao termo “socioambiental”; i) a necessidade de compreender a relação entre
sociedade e natureza; j) Na modernidade, a natureza é vista e representada como
signo negativo, pois emerge da crise ecológico-econômica, como expressão da
superexploração dos recursos naturais e das catástrofes e poluições de origem
antropogênica; k) o risco da simplificação, e das abordagens simplificadoras e
ou tendenciosas; l) a necessidade de reinventar a ciência moderna, com
diferentes perspectivas epistêmicas, lembrando que cada uma delas exige dizer
qual é seu ponto de partida; m) a possibilidade de falar de um novo contrato
epistemológico; n) o problema da possibilidade de diálogo entre visões
diferentes. Prof. Dimas apresentou também a ideia de elaborar um livro com a
produção teórico-metodológica referente à interação entre sociedade e natureza,
o qual poderia conter fundamentos de uma teoria do imaginário, das
representações e da aprovação discursiva. Profª Lúcia Helena mencionou a
perspectiva “sociologizante” (que dissolve a natureza no homem) e
“ecologizante” (que dissolve o homem na natureza). Prof. Dimas lembrou que “a
pedra não pensa; o homem pensa mas pode pensar errado”. Indagou sobre qual
seria o ponto de partida, se os contextos estão misturados. Apresentou, como
possibilidade, partir da cultura e reivindicar uma singularidade aos fenômenos.
E mencionou o desafio lógico ou teórico de reconhecer o momento quântico em que
a unicidade se torna diferenciada. Profª Lúcia Helena disse que o mar, por
exemplo, impõe condições, e tem, por assim dizer, uma fala. Prof. Dimas
acrescentou que isso remete à possibilidade de uma perspectiva biológica
diferente, a partir, por exemplo, de construtos ou elementos de natureza
cibernética; o que levaria uma pessoa a rever suas referências a partir das
quais compreende, posiciona-se diante de, representa e interpreta o mundo.
Lembrou o construtivismo social do antropólogo, sociólogo e filósofo da ciência
francês Bruno Latour, ao reconhecer que as coisas são simultâneas: pensamento e
ação. Profª Lúcia Helena considerou a importância de o tema tratado no texto
ser apresentado, como aula, a alunos de pós-graduação. Profª Maria do Rosário
lembrou que, na primeira edição do encontro da Associação Nacional dos
Programas de Pós-Graduação em Ambiente e Sociedade (Anppas), foi apresentada a
pergunta: “por que educação socioambiental?”. Profª Lucia Helena fez menção ao
problema de um conceito de natureza fixo, a partir de um olhar urbano
industrial. Maria Fernanda citou o livro do historiador norte-americano Warren
Dean que ganhou tradução de Cid Knipel Moreira intitulada A Ferro e Fogo: a
história e a devastação da mata atlântica brasileira (São Paulo: Companhia
das Letras, 1993). Profª Maria do Rosário disse achar difícil dissociar o
socioambiental, que contempla as naturezas humana e não humana. Prof. Dimas
mencionou o problema das definições de estratégias de sustentabilidade, em
especial no que se refere à dimensão a ser considerada diante de processos
tecnológicos de mediação. E indagou como seria possível dispor de uma teoria
geral que contemple entendimentos, por exemplo, em Guaraqueçaba e em Lyon; e
como seria possível, nela, levar em conta aspectos da subjetividade. Profª
Lúcia Helena propôs um trabalho no tema “cultura e natureza: bases
epistemológicas” para ser feito “a quatro mãos” (Prof. Dimas e Profª Lucia
Helena). Valorizou a presença da diversidade ou da diferença em textos de
natureza socioambiental. E mencionou um texto que polemiza a idealização das
diferenças, mencionando, como exemplos: o apelo midiático e publicitário à
diferença; a questão de fundo: estabelecer um nexo com a questão da igualdade
da espécie humana, tanto biológica como social; e a observação de que, se a
diferença for extremada, pode acontecer que surja um outro tão “outro” que,
portanto, seja considerado como destituído de direitos. Profª Maria do Rosário
lembrou o educador canadense Peter McLaren, ao dizer da necessidade de aceitar
o outro como diferente, mas não como desigual ou inferior. Prof. Dimas lembrou
a perspectiva feminista, também no contexto do direito às diferenças, e indagou
se não seria uma fantasia a ideia de universal, por exemplo, no contexto da
democracia. Lembrou também Edgar Morin no contexto das novas universalidades
que contemplam as diversidades. Considerou que tal novidade coloca dificuldades
a qualquer teoria social, embora seja um problema, talvez permanente, das
ciências humanas, o qual ilustrou com referência a como ocorreu o processo de
invisibilidade e paulatina visibilidade das populações indígenas. Indagou sobre
a possibilidade de haver uma teoria geral capaz de explicar de modo adequado a
reemergência indígena. E citou o problema de destacarem-se as grandezas, mas
não as mazelas, do multiculturalismo. Profª Lúcia Helena manifestou a ideia de
bases epistemológicas do contexto de cultura contemporânea. Prof. Dimas lembrou
do crítico literário nascido em Jerusalém sob o Mandato Britânico da Palestina
Edward Saïd, de cujos livros um ganhou tradução de Rosaura Eichenberg
intitulada Orientalismo: o oriente como invenção do ocidente (São Paulo:
Companhia das Letras, 2007). E sugeriu leitura de textos do livro La Colonialidad del Saber: eurocentrismo y ciencias
sociales: perspectivas latinoamericanas
(Buenos Aires: Clacso, 1993), organizado pelo sociólogo venezuelano Edgardo
Lander. David indagou sobre ser o diálogo de saberes voltado a um fim outro ou
um fim em si mesmo: o que motivou a apresentação, por parte do Prof. Dimas, de
um exemplo no campo jurídico, comparando os papéis do advogado e do promotor
público. Prof. Dimas fez menção à possibilidade, ou mesmo à necessidade, de uma
ciência pública, e lembrou a filósofa belga Isabelle Stengers no particular
referente à necessidade de reinventar a ciência moderna. Maria Fernanda
mencionou existência de legislação sobre Medicina em comunidades tradicionais.
Profª Maria do Rosário relatou brevemente a experiência de uma dissertação de
mestrado interdisciplinar que, por meio de pesquisa-ação, relacionou educação e
saúde. Prof. Dimas perguntou se haveria mais manifestações e, como não
houve, encerrou a reunião. Curitiba, 19 de junho de 2015.
…...........................
Para saber mais sobre o Projeto, acessar o link: http://meioambienteculturaesociedade.blogspot.com.br/2015/07/fundamentos-teorico-metodologicos-dos.html
Para saber mais sobre o Projeto, acessar o link: http://meioambienteculturaesociedade.blogspot.com.br/2015/07/fundamentos-teorico-metodologicos-dos.html
Memória n. 8 do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental (27.5.2015)
Minuta de memória da reunião
do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental, ocorrida em 27
de maio de 2015, nominalmente das 14h às 16h, nas dependências da Casa
Latino-Americana (CASLA). Presentes: Prof. Dimas Floriani, Profª Lúcia
Helena de Oliveira Cunha, Profª Maria do Rosário Knechtel, Maria Fernanda
Cherem, David Fadul, Guilherme Silva e José Thomaz. 1. Informes.
O Prof. Dimas informou sobre evento ocorrido no litoral paranaense, que contou
com presença do Prof. Dr. Alfredo Wagner, que trabalha com a ideia de
ressignificação da territorialidade, em conformidade com uma reivindicação de
que os sujeitos possam definir sua própria cartografia, e do Prof. Dr. Jorge
Montenegro, da UFPR (Setor de Ciências da Terra, Departamento de Geografia), que
atua, entre outros, nos temas cartografia social, povos e comunidades
tradicionais e conflitos pela terra e pelo território; além de doutorandos e de
outros pesquisadores. 2. Atividade referente a livro de D. Martuccelli.
Prof. Dimas teceu comentários sobre o livro de Danilo Martuccelli intitulado ¿Existen individuos en el Sur?
(Santiago de Chile: LOM). A ideia inicial era iniciar um debate entre os
presentes sobre o conteúdo das duas primeiras partes do livro; mas esse debate
ficou postergado tendo em vista que a Profª Lúcia Helena informou não haver
lido o texto por problema relacionado ao modo de disposição das páginas na tela
do computador. Prof. Dimas comentou que teorias contêm dispositivos que geram
expectativas sobre o que deve acontecer; contêm valores explícitos ou
implícitos que dificultam, se não mesmo impedem, o reconhecimento de alguma
concepção relativa de neutralidade da ciência. Lembrou da contribuição de Celso
Furtado no contexto das propostas de desenvolvimento que, em comparação com a ideia
de tendência a uniformização dos processos de desenvolvimento, contemplam mais
adequadamente a realidade latino-americana. Mencionou também o problema de
construir narrativas que formam imagens do Outro, com destaque para a teoria
pós-colonial, que consegue amplitude transcontinental ao abranger regiões da
África, da América e da Ásia. Fez referência a José Bengoa, historiador e
antropólogo chileno estudioso das história e sociedade mapuches, com destaque
para a reemergência indígena e o surgimento de novas categorias de análise; e a
Aníbal Quijano, sociólogo peruano conhecido pelo conceito de colonialidade do
poder, conceito que se relaciona com a ideia de colonialidade do saber;
pensadores cujas concepções diferem fortemente, por exemplo privilegiado, do
modelo dos estágios de crescimento de Rostow, proposto pelo economista norte‑americano
Walt Whitman Rostow. Profª Lúcia Helena mencionou uma crítica, creditada ao
frade dominicano Frei Betto, de que o recente aumento dos bens para a classe
média brasileira privilegiou bens de consumo e não bens sociais. Prof. Dimas
destacou a importância de, nos discursos, caracterizar os pontos de vista: por
exemplo, de que capitalismo se esteja a falar; e de que ponto de vista se fala
de modernidade. E citou brevemente os nomes de Nestor García Canclini, filósofo
e antropólogo argentino que reside no México, e Daniel Mato, antropólogo
venezuelano e doutor em ciências sociais. Profª Maria do Rosário menciona que,
em países nórdicos, todos têm ensino médio, e que aquelas sociedades
conseguiram implementar a social-democracia. Prof. Dimas fez breve leitura de
um trecho do mencionado livro de Martuccelli (de parte da p. 107 até parte da
p. 108), referente a diferentes processos de individuação. Fez menção também às
duas opções apresentadas pelo economista alemão Albert Otto Hirschmann diante
da insatisfação de um membro em uma organização: “exit”, ou seja, romper
relação; ou “voice”, isto é, tentar repará-la ou melhorá-la, valendo-se, para
tanto, de processos comunicativos (neste caso, contando bastante a lealdade
pelo grupo). Fez breve menção ao assédio cultural, que, por divulgar uma ideia
de uniformização de hábitos e de costumes, pode dificultar a compreensão de que
os padrões em diferentes sociedades não são, por vezes, os mesmos. Citou, na
qualidade de estados formados por diferentes etnias, Equador e Bolívia; e
mencionou a importância de pensar em como seria uma democracia diferente, não
delegadora, molecular (lembrando, pelo termo, o intelectual francês Félix
Guattari). E destacou uma tese, creditada a Martuccelli, de que a
democratização está na sociedade e não no Estado; e indagou sobre o que seria
uma democracia tutelada. Thomaz comentou que, a seu ver, existe um problema com
a democracia aplicada aos processos de escolha coletiva, em especial em
contextos de interesse público: uma vez que o que se decide, por meio do voto,
é de interesse coletivo e público, cada cidadão deveria votar na proposta que,
na visão desse cidadão, conduz a maior benefício coletivo público; entretanto,
parece que a racionalidade que permeia esses processos de escolha por vezes
pauta-se mais pela visão, e correspondente motivação, que o votante tem
enquanto indivíduo, ou enquanto partícipe de grupos menores, do que por sua
qualidade de membro da sociedade. Prof. Dimas disse que essa observação remete
ao problema da educação cívica: e exemplificou com o caso de um sujeito que, ao
colidir seu carro com outro, havendo produção de dano, se ninguém o interpelar
em razão da colisão, provavelmente deixará o local sem procurar reparar o dano
causado. 3. Comunicações e encaminhamentos finais. Prof. Dimas fez
menção a atividades programadas para o Grupo de Pesquisa, entre elas uma
palestra com Prof. Dr. Nicolas Floriani, da Universidade Estadual de Ponta Grossa
(Departamento de Geografia), e uma discussão, agendada para o próximo dia 10
de junho (uma quarta-feira), sobre o texto “Hacia un Pensamiento
Socioambiental: aproximaciones epistemológicas, sociológicas y metodológicas”,
produzido em coautoria pelos Profs. Dimas Floriani e Nelson Vergara Muñoz, este do Centro de Estudios del
Desarrollo Local y Regional (CEDER), Universidad de Los Lagos (Chile). Prof.
Dimas fez menção também ao Programa ATLAS (acrônimo para Análisis Territorial
Local Aplicado y Sustentabilidad), Programa de Investigación Interdisciplinaria
en Complejidad Territorial y Sustentabilidad, vinculado à Universidad de Los
Lagos (Departamento de Ciencias Sociales). Curitiba, 2 de junho de 2015.
…...............
Memória n. 7 do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental (6.5.2015)
Memória da reunião do Grupo de
Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental, ocorrida em 6 de maio de
2015, nominalmente das 14h às 16h30min, nas dependências da Casa
Latino-Americana (CASLA). Presentes: Prof. Dimas Floriani, Dra. Gladys
de Souza Sánchez, Profª Maria do Rosário Knechtel, Profª Lúcia Helena de
Oliveira Cunha, Maria Fernanda Cherem, Alexandre Hedlund, Rafael Braz e José
Thomaz. 1. Informes. O Prof. Dimas informou sobre o Laboratório
de Estudos Integrados Meio Ambiente, Cultura e Soiciedade, do qual participa o
Prof. Nelson Vergara, do Centro de Estudios del Desarollo Local y Regional
(CEDER) da Universidad de Los Lagos (Chile), com cujo grupo identifica
possibilidades de aprofundar estudos sobre epistemologia, interculturalidade e
literatura mapuche. Fez referência também ao Prof. Javier Tobar, da Universidad
del Cauca (Colômbia), no contexto do desenvolvimento de pesquisas empíricas com
populações tradicionais, identificando possibilidades de o Prof. Tobar integrar
a Rede CASLA-Cepial e, conjuntamente, pensar sobre metodologias para estudo e
pesquisa com populações tradicionais. Informou também sobre a reunião da Câmara
Jurídica da Rede CASLA‑CEPIAL, ocorrida em 17 de abril de 2015 em
Florianópolis, e que reuniu desembargadores e membros do Ministério Público
(este atuando também como ente preventivo); destacou que a Câmara Jurídica é um
espaço de tradução do que a Rede tem visto em termos de populações e
vulnerabilidade, que integra dez conselheiros de cada país participante, que
trabalham com a questão de populações vulneráveis. Informou também sobre a
perspectiva de publicação de uma revista da Rede CASLA-Cepial. O Prof. Dimas
apresentou ainda proposta de discussão, em encontro futuro, de um texto por ele
elaborado em coautoria com o Prof. Vergara; e fez referência a um evento,
agendado para os dias 22 e 23 de maio de 2015, em Paranaguá, com participação
do Prof. Joaquim Shiraishi, Professor Visitante na Universidade Federal do
Maranhão. Mencionou também a participação em encontro do Grupo de Pesquisa,
prevista para o mês de junho de 2015, do Prof. Nicolas Floriani, da
Universidade Estadual de Ponta Grossa, cuja pesquisa de pós-doutorado contempla
aspectos da cultura mapuche. E mencionou, também, reunião preparatória ao V
Cepial, prevista para acontecer, em outubro de 2015, na Universidad del Cauca
(Colômbia). 2. Atividade referente a livro de D. Martuccelli. O Prof.
Dimas teceu comentários sobre o livro de Danilo Martuccelli intitulado ¿Existen individuos en el Sur?
(Santiago de Chile: LOM). A ideia inicial era iniciar um debate entre os
presentes sobre o conteúdo das duas primeiras partes do livro; mas esse debate
ficou postergado para a próxima reunião do Grupo de Pesquisa, havendo, assim,
prazo maior para quem ainda não haja lido o texto fazê-lo. Destacou a forma de
expressão do autor, que, por meio de metanarrativas, desenvolve, inicialmente,
sua argumentação; que, em conformidade com o texto de Martucelli, os indivíduos
latino-americanos não são nem tradicionais nem modernos, pois, por um lado, a
influência da colonização deixou marcas importantes em relação a sua cultura
original, e, por outro, não lhes cabe simplesmente pautar suas vidas a partir
de uma ideia de progresso que adota, como referência, o padrão de
desenvolvimento das sociedades europeias, pois tais indivíduos trazem consigo
identidades próprias, herdadas de seus ancestrais, de culturas locais; e que,
portanto, o estudo das identidades latino-americanas a partir de referências
fortemente eurocêntricas revela-se inadequado, em particular porque, a partir
de tal perspectiva, aquelas identidades não raro resultam compreendidas como
insuficientes ou anômalas. Daí a importância de construir metodologias para
identificar a individuação em sociedades, por assim dizer, nem europeias nem tradicionais;
metodologias dialéticas entre fatores macro e singulares. 3. Comunicado
sobre a Rede CASLA-Cepial. Ao final da reunião, a Dra. Gladys fez um breve
comunicado aos presentes sobre a Rede CASLA-Cepial: mencionou que, na CASLA,
existem CASLA-Jur (assuntos jurídicos), CASLA-RI (assuntos de relações
internacionais) e CASLA-Psico (assuntos psicológicos), e destacou a importância
desses segmentos da Rede (em particular a colaboração de um grupo de advogados
voluntários) na promoção de condições de vida mais digna a migrantes e a
refugiados. Curitiba, 9 de maio de 2015.
….
Memória nº 6 do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental (25.3.2015)
Memória
da reunião do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental, ocorrida em 25 de
março de 2015, nominalmente das 14h às 16h30min, nas dependências da Casa
Latino-Americana (CASLA). Presentes: Prof. Dimas Floriani, Prof. José
Edmilson de Souza Lima, Profª Maria do Rosário Knechtel, Dra. Gladys de Souza
Sánchez, Mara Monteiro, Felipe Amaral, Rafael Braz, Ricardo Gama e José Thomaz.
1. Informes gerais sobre as atividades da Rede CASLA-Cepial e suas
próximas atividades. A Dra. Gladys informou que a rede CASLA‑Cepial envolve
diferentes instituições, inclusive internacionais; e que a Casa
Latino-Americana (CASLA) trabalha com a questão dos direitos humanos,
contemplando liberdade, justiça, interculturalidade, “buen vivir”. Mencionou
que a participação indígena no Brasil é diferente da que se verifica na
Guatemala, onde é bem mais expressiva; o caso dos municípios com autogestão no
México; e o reconhecimento, por parte de indígenas equatorianos, que a ideia de
“década perdida” lhes é estranha, no sentido de não se sentirem por ela
prejudicialmente afetados. Citou também alguns aspectos da cultura mapuche.
Informou que, na CASLA, existem CASLA-Jur (assuntos jurídicos), CASLA-RI
(assuntos de relações internacionais) e CASLA-Psico (assuntos psicológicos).
Que na CASLA há eixos temáticos, que comportam câmaras temáticas, as quais
devem pesquisar realidades dentro de seus temas, publicar e participar de
eventos, com destaque para o Congresso
de Cultura e Educação para a Integração da América Latina (Cepial).
E que há uma câmara jurídica internacional de direitos humanos da Rede
CASLA-Cepial. Mencionou haver um colegiado ou conselho deliberativo, e também
conselhos deliberativos temáticos, constituídos por representantes de câmaras
temáticas. No contexto internacional, informou sobre a colaboração proveniente
das universidades colombianas de Antioquia, Cauca e Medellín. O Prof. Dimas
mencionou a boa aderência de instituições chilenas. A Dra. Gladys mencionou
também o encontro sobre migrações que, embora deva acontecer em Curitiba, é
organizado no México, além de colaborações da Argentina, do Equador e do
Uruguai. No Brasil, mencionou colaborações de pesquisadores do Maranhão, de
Santa Catarina, do Rio Grande do Sul e de Rondônia; informou sobre o interesse
de pesquisadores da Unespar, que estiveram presentes em Osorno, em participar
da Rede CASLA‑Cepial; destacou a importância de contatos com departamentos,
programas de pós-graduação e instituições; disse aos presentes que fossem
bem-vindos à Rede, e ausentou-se da reunião. Os presentes receberam também um
texto sobre a Rede. 2. Apresentação de documento sobre projeto de pesquisa Estudos
Integrados em Meio Ambiente, Cultura e Sociedade: uma perspectiva
latino-americana. Inicialmente, foi distribuído um pequeno documento
elaborado pelo Prof. Dimas Floriani, apresentando resumidamente o que constitui
o projeto de pesquisa Estudos Integrados em Meio Ambiente, Cultura e
Sociedade: uma perspectiva latino‑americana. Esta apresentação tinha por
finalidade apontar os principais temas constitutivos do projeto, para apontar
algumas estratégias de seminários, a fim de abordar em diferentes etapas os
temas centrais do mesmo. Assim, como primeira tarefa destacou‑se a importância
de discutir alguns dos fundamentos epistemológicos vinculados aos seguintes
aspectos: 2.1 buscar entender quais são os referenciais teóricos sobre
uma teoria do conhecimento (científico e não científico, teoria da
complexidade) capazes de nos colocar diante do debate atual das principais
correntes teóricas que possibilitem abordar as questões socioambientais
(sustentabilidade, ética e justiça ambiental), a interculturalidade (desafios
teóricos desde as concepções da descolonização e de uma epistemologia do Sul) e
a teoria política (teorias do conflito social, da democracia, no contexto
latino-americano). A ordem dos seminários para abordar esses temas não
necessita obedecer necessariamente ao critério do mais teórico ao mais
concreto; pode-se ir intercalando textos e discussões sobre epistemologia,
interculturalidade, teoria política, etc. segundo se defina no coletivo dos
seminários. 2.2 Uma segunda etapa, que também pode vir intercalada com
os estudos mais teóricos, é a apresentação de resultados de pesquisas em
andamento, por parte dos pesquisadores que fazem parte do Projeto de Estudos
Integrados, a fim de trazer elementos interessantes para ir tensionando o
diálogo com as concepções mais teóricas dos seminários. Neste sentido, prevê-se
a apresentação, em maio/15, do andamento da pesquisa do Prof. Dr. Joaquim
Shiraishi Neto (UFMA), que desenvolve importante pesquisa sobre os Direitos da
Natureza e as Populações Tradicionais, em perspectiva comparada com as
situações do Brasil, Bolívia, Equador e Colômbia. O Prof. Joaquim virá a
Curitiba para participar de um encontro sobre Populações Tradicionais e
aproveitaremos para que nos apresente alguns dos aspectos centrais de sua
pesquisa no atual andamento da mesma. Da mesma maneira, o Prof. Nicolas
Floriani apresentará em junho/15 alguns dos resultados de sua pesquisa sobre
Bosques Nativos e as práticas de manejo por parte dos povos mapuches williche
do sul do Chile, suas cosmovisões, práticas materiais e conflitos dos
territórios ameaçados pela exploração dos recursos naturais das atividades
produtivas de mercado. 2.3 Está prevista também uma terceira etapa no
Projeto que aborde aspectos metodológicos das pesquisas sobre os temas centrais
do mesmo. Esta etapa tem como finalidade apresentar resultados capazes de
contribuir para estudos que se propõem a pesquisar temas afins aos apresentados
no Projeto de Estudos Integrados. 2.4 As três etapas deverão ser
desenvolvidas em 36 meses, com apresentação de resultados parciais em, pelo
menos, uma vez por ano. Neste sentido, está previsto um primeiro encontro de
avaliação do andamento das atividades, mas também com apresentação por escrito
da primeira etapa (fundamentos epistemológicos sobre os temas centrais do
Projeto), em outubro (20 a 23) na Universidad del Cauca, Magister de
Estudios Interdisciplinarios del Desarrollo, na cidade de Popayán, sob a
coordenação do antropólogo Dr. Javier Tobar. 2.5 Será enviado a cada
pesquisador participante do Projeto um pequeno questionário sobre suas
propostas de trabalho relativas a cada uma das etapas, a fim de montar uma
espécie de Agenda relativa a cada momento de reunião do coletivo, nos
respectivos momentos de cada uma das 3 etapas. A ideia é que se possa ir
produzindo textos sobre cada uma das etapas visando a publicação em livro ou,
pelo menos, um dossiê para publicar em algum periódico acadêmico-científico. 2.6
Só a título de lembrança para quem faz parte da linha de Epistemologia
Ambiental vinculada ao Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Meio
Ambiente e Desenvolvimento, o calendário para os seminários de discussão de abril
a junho ficou assim estabelecido: 15 de abril (14-16:30 horas) –
apresentação dos resultados de pesquisa (tese e dissertação já defendidas)
sobre projetos de impactos socioambientais (Rafael Braz) e percepções e usos de
um parque no contexto de expansão urbana (Felipe Amaral); 06 de maio –
discussão sobre a primeira parte do livro do sociólogo peruano Danilo
Martuccelli ¿Existen Individuos en
el Sur? (Santiago,
Editorial LOM, 2010), uma abordagem sobre os processos de construção de
sociabilidade latino‑americana na perspectiva de estudos interculturais e da
descolonização do pensamento; e 27 de maio – apresentação das pesquisas
de tese em andamento (pré‑qualificação) sobre projetos de impacto (hidrelétrica
e populações tradicionais) e sociologia dos desastres: Mara Monteiro, Ricardo
Gama e Adriana Ruela. Ainda em maio e junho/15, como já indicado acima,
estão previstas as apresentações dos pesquisadores Joaquim Shiraishi Neto
(UFMA) e Nicolas Floriani (UEPG) sobre o andamento de seus respectivos projetos
de pesquisa sobre Os Direitos da Natureza e as Populações Tradicionais e
Bosques Nativos, cosmovisões e práticas materiais. 2.7 A linha de
Epistemologia Ambiental se insere no Ppgmade (Programa Interdisciplinar em Meio
Ambiente e Desenvolvimento) da UFPR, e a temática geral da atual turma do MADE
tem como título: Conflitos e (In)Justiça Ambiental, Resistências, Estratégias
e Alternativas de Desenvolvimento; como bem sugere esse tema comum
articulador, está-se diante de um debate que envolve atores/sujeitos/agências,
dimensões de cultura e interculturalidade, governança e estratégias
participativas (democracia), bem como estratégias que apontam para uma
diversidade de experiências de construção alternativa de desenvolvimento. 2.8
O Projeto de Pesquisa Estudos Integrados
em Meio Ambiente, Cultura e Sociedade: uma perspectiva latino-americana faz
parte também da Rede Internacional CASLA-Cepial, integrando instituições e
pesquisadores do Brasil, Chile, Colômbia e México, e faz parte da Câmara
Temática em Meio Ambiente na América Latina. Ademais, está registrado no CNPq,
como projeto contemplado pela Bolsa Produtividade em Pesquisa, para o período
2015-2018. 3. Organização da apresentação do projeto de pesquisa da linha de
Epistemologia Ambiental para terça-feira, 31 de março, às 14 horas. Ficou
definido que os professores da linha farão menção a experiências
interdisciplinares já desenvolvidas em anos anteriores e discorrerão sobre seus
interesses de pesquisa, procurando identificar eventuais convergências entre os
temas de interesse de pesquisa dos professores e as expectativas dos alunos
quanto ao desenvolvimento de suas dissertações de mestrado e teses de
doutorado. 4. Qualificação (final de maio) de doutorado de Adriana Ruela,
Mara Monteiro e Ricardo Gama. Conforme já informado no item 2.6, ficou
estabelecido que os doutorandos realizarão uma prévia da qualificação.
Memória nº 5 do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental (3.10.2014)
Memória da reunião do Grupo de
Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental, ocorrida em 3 de outubro de
2014, nas dependências da CASLA – Casa Latino-Americana.
Presentes: Prof. Dimas
Floriani, Prof. José Edmilson Souza Lima, Profª Maria do Rosário Knechtel,
Adriana Ruela, Katya Isaguirre, Lilian Fiala, Mara Monteiro, Melina Gunha,
Alexandre Hedlund, Christian de Britto, David Fadul, Felipe Amaral, Geraldo
Milioli, Guilherme Silva e José Thomaz. 1. Considerações iniciais.
O Prof. Dimas recordou o contexto da elaboração do projeto de pesquisa
encaminhado ao CNPq, e fez referência, entre outros, aos perfis acadêmicos dos
Professores James Clarke, Nelson Vergara Muñoz, Bernardo Javier Tobar
Quitiaquez e Narciso Barrera Bassols. 2. Manifestações sobre interesses de
pesquisa. Os participantes falaram sobre seus interesses de pesquisa, e o
Prof. Dimas apresentava considerações sobre as manifestações. Prof. José
Edmilson de Souza Lima: a compreensão dos contornos do campo de
conhecimento ambiental tomando como referência as configurações de um sujeito
cognoscente que emerge junto com o novo campo. Profª Maria do Rosário
Knechtel: a multi-interculturalidade e dignidade humana na América Latina
com interfaces com uma ética ambiental e cívica. Adriana Ruela:
aprofundar o debate da emergência de um novo problema social relacionado à
implantação de usinas hidrelétricas, o dos impactos sociais indiretos,
compreendendo essa emergência como um possível indicador do esgotamento do mito
desenvolvimentista dentro do próprio Estado brasileiro. Katya Isaguirre:
aproximações e releituras da teoria do sujeito na perspectiva socioambiental.
Foco nos conflitos socioambientais de uso e apropriação do território. Lilian
Fiala: trabalhar a questão da sustentabilidade nos pequenos negócios, dos
informais até o nível da micro e pequena empresa. Verificar a percepção do
empreendedor sobre meio ambiente e sustentabilidade; verificar as práticas
sustentáveis nesses negócios, e o nível de consciência das mesmas no
empreendedor. Verificar que fatores exógenos ao negócio podem melhor contribuir
para que a questão da sustentabilidade seja realmente trabalhada nesses
negócios de forma ampla. A parte dessa pesquisa principal descrita acima
interessa também por assuntos como o consumo consciente, ação cidadã. Mara
Monteiro: analisar as relações sujeito-mundo, os componentes que formam as
imagens de mundo dos sujeitos no processo de construção de convencimento, com
enfoque nos sistemas tradicionais de conhecimento. Na literatura está baseado
nas epistemologias do Sul e nos estudos interculturais. Melina Gunha:
interesse em educação ambiental e a relação com o território e o sentimento de
pertença de um local e de um não local; gostaria de pesquisar o que isso
afetaria num contexto de ecoformação. Alexandre Hedlund: construções de
epistemologias do Sul; perspectivas e limites de racionalidades ambientais e
periféricas do Sul, assim como as consequências da continuidade de uma
racionalidade econômica, tendo como temas transversais as concepções de
vulnerabilidade e de justiça socioambiental; além disso, discutir aspectos
relacionados ao cotidiano e imaginário. Christian de Britto: abordar o
processo de implantação da indústria para-petrolífera em Pontal do Paraná,
localizando, para tanto, impactos socioambientais locais; a pesquisa tem por
objetivo, também, a aplicação do pensamento sistêmico multimodal como método
capaz de fundamentar uma análise sociológica crítica de diversos fatores e
aspectos relacionados ao atual contexto da região. David Fadul: faz suas
as palavras do Prof. Edmilson. Felipe Amaral: trabalhar no (ou se
aproximar do e, na medida do possível, contribuir com o) eixo de elaboração de
metodologias para captação do cotidiano dos grupos. Geraldo Milioli:
pensamento ecossistêmico para a relação sociedade-natureza e a
sustentabilidade. Guilherme Silva: a priori, trabalhar com
representações de comunidades tradicionais em relação aos discursos locais,
suas identidades, seus cotidianos, o “senso comum” em relação a sua percepção
do meio ambiente. E trabalhar do ponto de vista teórico-metodológico com vem
sendo trabalhada a epistemologia ambiental especificamente no ensino superior
mediante a Lei nº 17.505/2013. José Thomaz: a necessária compatibilidade
entre uma ética cívica e ambiental, alicerçada nos valores essenciais da
dignidade humana, da justiça substantiva e da liberdade, e a pluralidade de
vidas boas com eles compatíveis, com interfaces com multi-interculturalidade na
América Latina. 3. Encaminhamentos. 1) O Prof. Dimas manifestou a
importância de o conteúdo do módulo de epistemologia ambiental, a ser ofertado
no MADE, privilegiar aspectos substantivos, com a proposição de atividades à
maneira de seminário. 2) O Prof. Dimas
informou da possibilidade de inscrição, até final de outubro, de interessados
em participar no IV CEPIAL – Congresso de Cultura e Educação para a Integração
da América Latina, evento agendado para de 19 a 23 de janeiro de 2015 na
Universidad de Los Lagos, em Osorno, no Chile, coordenado pela Rede
Casla-Cepial. Curitiba, 13 de outubro de 2014.
Memória n. 4 do Grupo de Pesquisa Epistemologia e Sociologia Ambiental (24.4.2014)
Além de seu interesse em
filosofia contemporânea, o Prof. Vergara, cujo projeto sobre hermenêutica do
território termina em 2015, pretende continuar pesquisando a hermenêutica da
temporalidade. 2. Manifestações sobre atuação acadêmica e interesses de
pesquisa. Geraldo (interesse no pensamento da descolonização, aprovou o
projeto de pós-doutorado sobre Pensamento Ecossistêmico e sua aplicabilidade na
realidade), Katya ( considera que há interesses entre os temas; atua na área de
direito ambiental e rural. Além disso, atua socialmente com movimentos sociais,
direitos humanos e os bens comuns com povos tradicionais). Sua pesquisa se
desenrola no Parque Nacional do Superagïo (desterritorialização), além de
acompanhar grupos de agroecologia e políticas públicas e agricultura familiar,
democracia (consenso e conflito). Na tese, abordou a constituição do sujeito.
Oferece disciplina sobre Territorialidade e Direitos Humanos, no curso de
Direito da UFPR) , Thomaz ( Trabalha com economia, de uma maneira substantiva e
se indaga sobre a improbabilidade de apresentar pesquisa desse gênero em outros
programas da universidade; viu no Made a possibilidade de refletir sobre uma
epistemologia aplicada à sustentabilidade. No momento, busca expandir o campo
para justiça social substantiva e ética cívica (virtude cívica). Como esses
valores são aceitos em sociedade?), Rafael ( A Usina Hidrelétrica de Mauá (os
mitos do desenvolvimento e discursos a favou ou contra. Transita entre a esfera
jurídica, atores governamentais e não governamentais e grupos de pesquisa),
Melina (bióloga, UEPG) e cursa o mestrado. Fazia coleta de água e a partir
disso começou uma atividade de questionamentos sobre esse recurso vital. Fez
especialização em Ecoformação no MADE) e pretente aprofundar a pesquisa nessa
área), Natália (pertence à linha do rural. Faz mestrado, e é gestora ambiental.
Seu tema trata de justiça ambiental na APA de Guaraqueçaba) , Alexandre (
formação em direito, com mestrado em desenvolvimento, na UNIJUÍ, onde abordou
políticas neoliberais e desenvolvimento sustentável, com ênfase na América
Latina. Pretende aprofundar o debate sobre epistemologias do sul, racionalidade
ambiental e a (in)visibilidade dos sujeitos como atores), David ( formação em
direito e seu tema de pesquisa indaga como o direito lê o meio ambiente. Seu
domínio de pesquisa abarca o direito e o campo ambiental), Guilherme (egresso
da UEPG em ciências biológicas. Pertence ao Depto. de Recursos Hídricos e seu
interesse versa sobre percepção e discurso ambiental, a partir das teorias de Moscovici)
e Lilian (com formação em economia, cursa o mestrado. Seu interesse se aplica
às estratégias de combate à pobreza, responsabilidade corporativa,
inter-relação dos atores, consumo, pequenos negócios. Tem especialização em
gestão comunicacional). Após as manifestações, o Prof. Vergara fez
também algumas considerações. 3. Encaminhamentos. O Prof. Dimas
manifestou a intenção de elaborarem-se seminários sistemáticos a partir de
julho ou de agosto, com leitura prévia de textos seguida de apresentação, e com
o objetivo de produzir um livro em um prazo de um ano a um ano e meio.
Resumidamente, o que ficou
estabelecido como estratégia da linha, foram os seguintes pontos:
1) Em termos de colaboração
possível entre nossa linha e CEDER:
a) publicação de livro em comum,
com 3 partes ( 1 teória, 1 com resultados de teses e 1 com projetos em
andamento ou intenções e/ou reflexões teóricas aprofundadas);
b) Intercâmbios
alunos/professores.
2) Seminários teóricos da linha;
temas que servem para aprofundar conteúdos/autores e que ao mesmo tempo
permitam definir projetos e subprojetos de pesquisa.
3) Evento (Encontro)
Internacional sobre Interculturalidade, Direitos Coletivos e Relações
Internacionais que ocorrerá em Curitiba em 14 e 15 de agosto de 2014, no
contexto da Rede Casla-Cepial.
Assinar:
Postagens (Atom)